O grupo “Bombarda”, de Vila Nova, freguesia de Outil, dedica-se a apresentar recriações históricas da época medieval. Criado numa localidade do concelho de Cantanhede com um longo historial ligado ao teatro, o grupo é composto por 25 actores, na sua maioria amadores.

São muitas as horas que os elementos do grupo de teatro e recriação histórica “Bombarda” passam em frente a computadores e a lerem livros. A pesquisa por trajes e costumes da época medieval é essencial para que as peças primem sempre pelo rigor histórico.

O “Bombarda” nasceu em 2008, em Vila Nova, freguesia de Outil (Cantanhede), “principalmente para organizar a parte dos quadros vivos das procissões”, contou ao AuriNegra o coordenador do grupo, José Carlos Silva. Dos episódios bíblicos para a época medieval foi um salto e hoje as participações em feiras temáticas de Norte a Sul do País são já uma rotina.

É umbilical a ligação deste núcleo de actores ao Clube União Vilanovense (CUV), associação de que faz parte enquanto secção autónoma desde Setembro de 2011. “Foi das primeiras associações do concelho [de Cantanhede] a apostar no teatro”, recorda José Silva, referindo-se à colectividade fundada em 1926. Foi pouco tempo depois de ser criado o CUV que surgiu o seu Grupo Cénico, dando origem a uma tradição de teatro que se enraizou na população local. “A maioria dos elementos do Bombarda já fizeram parte da Direcção do União Vilanovense”.  

Actualmente, o “Bombarda” é constituído por 25 actores que se dedicam a dar cor e vida a episódios do passado. “Noventa por cento das pessoas são de Vila Nova. Alguns colaboradores vêm de fora, mas têm ligações afectivas à terra. Há ainda os que quiseram integrar o grupo depois de terem assistido às nossas actuações”.  

Com a “nata da casa” 

Na sua maioria artistas amadores de teatro, com largos anos de experiência de palco adquirida no CUV, os actores estão envolvidos, tanto na representação como na consulta histórica. “Tudo isto implica um trabalho de pesquisa muito grande. São muitas horas passadas ao computador, a fazer pesquisa, principalmente no que toca a adereços e textos e a visualizar o trabalho de outros grupos”. A própria designação do grupo está relacionada com um momento histórico português. “O nome ‘Bombarda’ tem origem na lenda que diz que, durante as Invasões Francesas, esteve montada uma bombarda [espécie de morteiro] nos pinhais aqui perto para defesa das linhas portuguesas”. 

Para que as peças retratem com exactidão os momentos a que se referem, os artistas vilanovenses têm vindo a aperfeiçoar a sua técnica em oficinas sobre temas específicos. “No início deste ano, participámos em workshops de esgrima cénica, postura no palco e enquadramento histórico com a [companhia de teatro] Viv’Arte”. 

Se, por um lado, os responsáveis não negam a importância da formação técnica externa, por outro, orgulham-se de serem eles próprios a desenvolver os textos para as encenações e a conceber os próprios artefactos, como as espadas e as armaduras. “Temos a sorte de ter um serralheiro no grupo, uma pessoa ligada à construção civil e uma parceria com outra pessoa que trata dos guiões e da pesquisa do léxico utilizado na idade média, bem como o próprio contexto histórico. Normalmente, juntamo-nos os quatro, pomos as ideias em cima da mesa, encaixamo-las e avançamos com a recriação”.     

O coordenador recorda que “o primeiro grande evento” em que o grupo participou foi a recriação da Batalha dos Atoleiros, na vila de Fronteira, distrito de Portalegre. Coimbra, Montemor-o-Velho, Bragança, Guimarães, Mangualde, Trancoso e Óbidos são outras das localidades por onde o “Bombarda” já deu a conhecer pedaços da História. “As feiras medievais são um pouco sazonais. Felizmente, este ano, tivemos 6 ou 7 actuações no concelho de Cantanhede”, duas delas no maior certame da Região Centro, a Expofacic. | LM

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