Frankelim Amaral, natural de Covão do Lobo (Vagos),  foi  um dos emigrantes lusos recentemente distinguidos na 5.ª edição do “Prémio COTEC para o Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa”, entregue pelo Presidente da República de Portugal. A residir em Paris há 16 anos, o empresário é um dos directores da revista Portugal Mag e presidente da associação Artes e Letras. 

O dia 6 de Junho de 2012 dificilmente sairá da memória do gandarês Frankelim Amaral. Foi nessa data que recebeu em Portugal, das mãos do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, o “Prémio Diáspora 2012”, atribuído no âmbito da 5.ª edição do “Prémio COTEC para o Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa”. O galardão é  promovido pela COTEC Portugal – Associação Empresarial para a Inovação, tendo sido entregue a 39 empresários nacionais, radicados em diversos países do Mundo.

A cerimónia de entrega das distinções coincidiu com as cerimónias do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, assinalado a 10 de Junho. No âmbito do evento, os perto de quarenta empresários participaram em diversas iniciativas, como visitas ao museu Casa das Histórias – Paula Rego (Cascais), à fábrica da Delta Cafés, Museu do Café e Adega Mayor (Campo Maior), ao Bairro da Mouraria (Lisboa) e um encontro com o economista, ex-ministro e director da COTEC, Daniel Bessa. No dia 10 de Junho, na capital portuguesa, os galardoados estiveram no palanque presidencial, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, e assistiram à sessão solene comemorativa do Dia de Portugal, no Centro Cultural de Belém.

No caso de Frankelim Amaral, o “Prémio Diáspora 2012” deveu-se ao notável trabalho que tem vindo a realizar em Paris, onde dirige com um amigo a revista Portugal Mag. De facto, a publicação nasceu no seio da associação Artes e Letras, presidida há sete anos por este português natural de Covão do Lobo, concelho de Vagos.

O empresário e dirigente associativo não esconde a surpresa que foi receber a notícia de que iria ser distinguido. “Julgava que estes prémios só eram atribuídos a pessoas mais velhas, com grandes currículos. Pensava que havia de lá chegar, mas mais tarde. Portanto, fiquei bastante satisfeito. Desde que cheguei a França, uma das minhas principais preocupações é estar o mais ligado possível à vida associativa. Um dos meus lemas é que partir não significa esquecer. Quando estamos fora de Portugal, o que nos identifica é a nossa Cultura. É esse o orgulho que temos”. 

De electricista a jornalista 

Nos primeiros tempos da sua presidência na Artes e Letras, Frankelim Amaral organizou encontros que reuniam a comunidade lusa radicada na zona de Paris, proporcionando-lhe iniciativas mensais, como actuações de grupos folclóricos e jogos tradicionais. “Com os encontros de portugueses, em que alguns deles viajavam mais de 40 quilómetros para estarem connosco, reparámos que os temas das conversas não eram só sobre futebol ou as localidades de que eram naturais. Começámos a ver que muitos deles colocavam certas perguntas sobre o país que agora os acolhia”.   

Foi aí que a Direcção da Associação decidiu passar a disponibilizar um leque mais abrangente de serviços, entre eles o apoio jurídico, disponibilizado por especialistas portugueses a residirem em território francês. “Há uma maior proximidade porque os associados estão a lidar com pessoas que já passaram pelas mesmas dificuldades que eles quando chegaram a França”.       

Em 2009, lançou a Portugal Mag, uma revista mensal gratuita, com tiragem de 15 mil exemplares, cujo principal objectivo passa por “preservar e divulgar a Lusofonia em França”. “Na zona de Paris, a distribuição é intensiva. Mas também distribuímos para outros pontos de França”. 

Frankelim Amaral tinha 20 anos de idade quando emigrou para França, em 1996, onde entretanto se tornou electricista. Até há bem pouco tempo, essa profissão era o seu principal meio de sustento, mas com o crescimento da Portugal Mag (de que é director) optou por dedicar-se exclusivamente à revista. Actualmente, são três as pessoas que trabalham a tempo inteiro para que a publicação seja dada à estampa mensalmente. “Há um ano e meio, a Portugal Mag passou a ser editada pela minha empresa e do meu sócio, a FP Produções”.  

Para o director da revista, escrever nunca foi um problema, bem pelo contrário, o que lhe facilitou a entrada no mundo do jornalismo. Além de empresário e dirigente associativo, o gandarês é também escritor, com três obras já publicadas. O último livro, “A Gaveta”, foi apresentado a 18 de Agosto, na Casa do Povo de Mira. No evento marcou presença, entre outros, João Reigota. Depois de vários elogios aos feitos alcançados pelo autor, o chefe do município mirense afirmou que “não é muito normal uma pessoa tão jovem já ter caminhado este percurso”. Percurso, esse, que vai incluir, brevemente, mais uma obra literária. Assim se faz a história de um jovem empreendedor.| LM

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