A presença de S. Tomé e Príncipe na Expofacic tem sido constante ao longo das últimas edições do certame, quer no stand, em que são dadas a conhecer as riquezas naturais e patrimoniais do País, quer na “tasquinha”, onde os visitantes podem apreciar a exótica e colorida gastronomia local. O Ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades santomense visitou a feira–festa, deixando a promessa de levar mais longe a relação fraterna que une aquele país africano ao Município de Cantanhede.

Esteve para ser Manuel Pinto da Costa, presidente da República de S. Tomé e Príncipe que se encontra em visita oficial ao nosso País, a marcar presença no almoço que se realiza anualmente em Cantanhede, e que tem vindo a celebrar a participação do arquipélago africano na Expofacic. Vários factores concorreram para que tal não fosse possível, com as fontes oficiais a apontarem questões de agenda, enquanto outros sugeriram a moção de censura apresentada pela oposição santomense como impedimento para a materialização da vinda do chefe de Estado à Bairrada. Apesar da ausência de Manuel Pinto da Costa, S. Tomé e Príncipe esteve representado ao mais alto nível, nomeadamente pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades, Manuel Salvador dos Ramos, e pelo Ministro do Plano e Desenvolvimento, Agostinho Fernandes.

Os diplomatas foram recebidos no Marialva Park Hotel, na manhã de 29 de Julho, pelo presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, João Moura, por outros representantes do Executivo camarário, pelo Cônsul Honorário de S. Tomé e Príncipe na Região Centro, José Diogo, e por dezenas de individualidades da Região. Depois de apreciadas as iguarias da gastronomia santomense, como o calulu e a canica, e de uma expressiva e arrebatadora declamação poética de Olinda Beja, escritora e mulher das artes oriunda de S. Tomé, foi tempo de rumar ao recinto da Expofacic, evento apresentado por João Moura como “a maior e melhor feira de actividades económicas do nosso País”.

O autarca aproveitou também para frisar “o interesse em fortalecer o relacionamento institucional, no sentido de dinamizar a cooperação com as entidades santomenses, num processo que envolva tanto quanto possível os agentes económicos”, saudando e elogiando a presença do “Estado irmão de Portugal” na feira-festa. “Trata-se de uma presença que muito apreciamos e que queremos manter, por aquilo que o seu valor intrínseco acrescenta ao certame, e também como símbolo dos laços de amizade que esta comunidade mantém com S. Tomé”.

“O que interessa são as acções”

Quem muito tem contribuído para o reforço desses laços fraternos é José Diogo, que se apaixonou pelo ilhéu desde que em 1963 lá desembarcou. Foi amor à primeira vista e a herança de um coração dividido. O Cônsul Honorário foi aplaudido de pé no almoço comemorativo e muito elogiado, quer pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, quer por João Moura, mas não se deixou impressionar: “Para mim as homenagens não interessam, o que interessa são as acções. É mais importante olhar para o moribundo, para o doente, para o estudante, para aquele que precisa de um pedaço de pão e não tem”.

Ainda assim, reconheceu a importância da visita do governante, assumindo que “Cantanhede tem muito a ganhar com a vinda do senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros de S. Tomé e Príncipe, quer pela oportunidade de divulgar a sua gastronomia, quer pela possibilidade de se dar a conhecer enquanto destino turístico. Ambas as partes têm muito a ganhar”. Já Salvador dos Ramos relevou “as acções de valor no domínio económico, social e turístico” que têm nascido desta relação, acrescentando que a cooperação entre S. Tomé e Príncipe e Portugal deve agora estender-se “ao empreendedorismo, à inovação, às novas tecnologias e à investigação científica”.

A esse propósito, João Moura saudou as acções desenvolvidas pela Escola Técnico-Profissional de Cantanhede, que tem permitido a formação de jovens santomenses em diversas áreas, e pela Associação Padre Manuel Marques, da Pocariça, que tem tido papel inestimável na vertente social, nomeadamente através do envio de bens para o arquipélago. O edil destacou também o exemplo do Biocant Park e as suas potencialidades no desenvolvimento de parcerias científicas entre Cantanhede e S. Tomé.

“É a grande disponibilidade para cooperar, a mensagem de fundo que lhe quero deixar. Confiamos na sua acção em prol do reforço das relações económicas, culturais e sociais entre o Município de Cantanhede e S. Tomé e Príncipe”, concluiu o líder do Executivo. O governante santomense agradeceu a recepção calorosa e deixou um apelo: “Peço que sejais todos embaixadores de S. Tomé e Príncipe na Região Centro e que envideis esforços na mobilização de empresários e investidores”. | FC