Foi fundado em 1934, na então vila de Cantanhede, por João Adelino da Silva Pereira. O Colégio “Infante de Sagres” foi o ponto de convergência de centenas de alunos da Região, crianças e jovens que ainda hoje se reúnem para recordar os saudosos tempos de escola. Em 1972 fechou as portas, assegurando, no entanto, um lugar de destaque na história do Concelho.

João Adelino da Silva Pereira nasceu em Tavarede (Figueira da Foz) em 1915, mas foi em Cantanhede que fez grande parte da sua vida, marcando sucessivas gerações com o alcance da sua obra, primeiro enquanto pedagogo, depois no papel de autarca. Iniciou a carreira de professor com apenas 18 anos, em Outil, tendo passado por estabelecimentos escolares em Enxofães e Pocariça, até decidir fundar o seu próprio colégio, em Cantanhede, corria o ano de 1934. O nome escolhido foi “Infante de Sagres”, em homenagem ao visionário homem das Descobertas, um dos da “Ínclita Geração”. Estavam lançados os alicerces para a concretização de um sonho de João Adelino de Silva Pereira. Foi Director da instituição até à sua morte, em 1967, marcando indelevelmente gerações de cantanhedenses, que encontraram no “Infante de Sagres” uma oportunidade de cultivarem o saber e o conhecimento, mas também os princípios e as regras da vida em sociedade, incutidos com o rigor característico de um mestre que sempre amou a missão de pedagogo.

Era assim o Director do Colégio, que assumiu as funções de presidente da Câmara Municipal de Cantanhede em 1961. O seu espírito de iniciativa, a sua persistência, a sua tenacidade foram ingredientes fundamentais para que o Concelho e as Freguesias pudessem progredir. Para bem de uma terra que não era sua de berço, mas que tomou por sua no coração. Como salientou João Victor da Silva Pereira, seu filho: “O meu pai estava ligado a Cantanhede por laços indestrutíveis, procurou vincar a sua personalidade valorizando o meio que o acolheu no seu seio, fazendo de Cantanhede a sua terra adoptiva”. Isso mesmo ficou patente ao longo dos mais de 30 anos em que liderou o “Infante de Sagres”, uma escola de grande tradição e que acrescentou valor incalculável ao panorama educativo da Região.

João Moura, o actual presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, foi um dos muitos alunos que frequentaram as instalações do Colégio, experiência que lhe deixou marcas que ainda hoje persistem: “O Colégio ‘Infante de Sagres’ foi muito importante na minha formação, foi lá que iniciei o percurso educativo que me tornou naquilo que sou hoje, quer ao nível académico e profissional, quer em termos pessoais. Havia muita disciplina, o ensino era bastante exigente e não há dúvida que isso moldou quem por lá passou. Por outro lado, foi no ‘Infante de Sagres’ que construí as relações mais sólidas que ainda hoje mantenho, foi lá que fiz grande parte das minhas maiores amizades, pelo que guardo desse tempo as mais gratas recordações”.

Para além do impacto que o estabelecimento de ensino teve na vida de cada um dos alunos que o frequentaram, o autarca destaca o papel preponderante que desempenhou no desenvolvimento local: “É indiscutível que o Colégio teve um papel de grande relevo na formação de várias gerações de jovens que depois se vieram a notabilizar com carreiras destacadas em vários domínios”, sublinhou João Moura. Também Carlos Maltês, figura incontornável da Região quando o tema é a etnografia e as tradições do folclore, estudou no “Infante de Sagres”, período que recorda como “muito bom, um tempo do qual mantemos muitas amizades, amizades essas que perduram por toda uma vida”. Mais do que isso, Carlos Maltês considera que o Colégio teve “um papel muito importante no desenvolvimento da Região”.

O recreio do Colégio “Infante de Sagres” deixou de receber as brincadeiras e correrias dos alunos há 40 anos, data que foi assinalada no passado dia 26 de Maio no XIV Encontro de antigos alunos, funcionários e docentes da emblemática instituição. Cerca de 75 convivas marcaram presença na iniciativa, que contemplou uma missa, uma sessão na Biblioteca Municipal de Cantanhede e um almoço na Quinta da Pintoura, naquela que foi uma jornada de evocação das vivências e experiências partilhadas enquanto comunidade escolar do “Infante de Sagres”. | FC