A Fundação Ferreira Freire assinala hoje (sexta-feira, dia 30) o seu 50.º aniversário e o Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social marca presença nas comemorações. A Instituição Particular de Solidariedade Social sediada em Portunhos, concelho de Cantanhede, tem vindo a crescer e, actualmente, presta apoio a mais de 100 utentes de vários concelhos.

Alberto Barreto é um homem feliz por ver a instituição a que preside completar 50 anos de existência. Mas o Presidente do Conselho de Administração da Fundação Ferreira Freire também não esconde o orgulho que sente ao saber que Marco António Costa vem hoje a Portunhos. “Nunca tivemos o privilégio de ter um membro do Governo a visitar a Fundação. Logo aí é uma mais-valia, porque é a primeira vez que acontece”, contou ao AuriNegra.

O Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social chega à sede da freguesia por volta das 14h30 e presidirá à sessão solene comemorativa do aniversário da Fundação. “Para além do senhor Secretário de Estado, que nos dá uma grande honra estar aqui, convidámos também as forças vivas do Concelho, o Director do Centro Distrital da Segurança Social, antigos directores da Fundação e outros convidados institucionais”, como os presidentes “de todas as IPSS’s [Instituições Particulares de Solidariedade Social] do Concelho” e “representantes dos trabalhadores e dos utentes”.    

De acordo com Alberto Barreto, as iniciativas no âmbito do cinquentenário vão estender-se ao longo do ano. “No dia 30, será como que o início das comemorações”. O programa, a divulgar oportunamente, inclui um ciclo de conferências, um fim-de-semana de “portas abertas”, concertos e uma publicação sobre a Fundação.

A IPSS com sede em Portunhos dispõe de três valências: Lar de Idosos (87 utentes), Serviço de Apoio Domiciliário (10) e Centro de Dia (8). Dos diferentes serviços, usufruem idosos oriundos de diversos concelhos do distrito de Coimbra. Porém, o Presidente acalenta o desejo de que o número de utentes no Lar de Idosos venha a aumentar. Esse objectivo poderá vir a ser cumprido  devido a uma Portaria (n.º 67/2012, de 21 de Março) que, entre outras medidas, eleva a capacidade máxima de residentes de 95 para 120.

São 61 as pessoas que colaboram com a Fundação, contrastando com as seis que começaram ali a trabalhar em 1962. O nome da Instituição deve-se a José Luís Ferreira Freire, nascido em Tentúgal em 1843  e falecido em 1920. Bacharel em Direito e político na época da Monarquia Constitucional, tornou-se numa figura influente no seio do Partido Regenerador, tendo ocupado o cargo de Deputado da Nação durante várias legislaturas. A essas funções, juntou as de Administrador do Concelho e Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, acabando por ser agraciado com o título de Conselheiro de Estado honorário.

Foi uma sobrinha do Conselheiro que herdou a fortuna, composta maioritariamente por bens imóveis. No entanto, como a herdeira morreu (em 1961) sem deixar sucessão, os bens reverteram a favor da criação de um “asilo para pobres velhos”, conforme estava descrito numa cláusula do testamento do tio. Estavam lançadas as bases para a construção do que é hoje a Fundação Ferreira Freire que, em tempos, acolheu o “primeiro Jardim-de-Infância da rede pública do concelho de Cantanhede”.   

Cinco décadas de evolução

No início do século XXI, Alberto Barreto assumiu, pela segunda vez, o cargo de Presidente do Conselho de Administração da IPSS de Portunhos, função que já tinha desempenhado na década de 70 do século transacto. “Nessa fase, do património agrícola que a Fundação tem, ainda recebíamos alguns valores que nos ajudavam no dia-a-dia. E tínhamos outra coisa: utentes menos dependentes, mais novos talvez, que conseguiam colaborar nos trabalhos agrícolas”.  

No decorrer dos anos, foram muitas as alterações que a Instituição veio sofrendo, sempre com a intenção de servir melhor as populações cada vez mais envelhecidas. Para fazer face ao aumento da procura, a Fundação Ferreira Freire foi alvo de três intervenções de monta. Só nos últimos dez anos, foram aplicados cerca de um milhão e quatrocentos mil euros na melhoria e ampliação das instalações.

De todas as alterações, Alberto Barreto destaca uma em particular. “Aquilo que marcou a verdadeira diferença foi a montagem do aquecimento central, que permite que o conforto aqui dentro seja perfeito durante o ano inteiro”. Ainda assim, a contratação de equipas mais qualificadas também ajudou a “melhorar a qualidade”. 

Neste momento, há um edifício inutilizado que Alberto Barreto gostava que fosse requalificado. “Nós gostaríamos de transformar aquele complexo, que era o antigo lagar da Fundação, numa estrutura ao serviço do social e da terceira idade”, com capacidade para “mais 20 camas”.  | LM

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