Pedro Rocha e Silva nasceu em Leiria a 4 de Março de 1971,  cidade onde viveu até ingressar no ensino Superior. Por o pai ser natural de Febres, criou uma ligação forte à Gândara e ainda hoje a visita com frequência. Licenciou-se em Gestão, em Lisboa, e foi na capital que a sua carreira profissional despontou. Enquanto consultor e executivo na área de Recursos Humanos, já trabalhou em diversas empresas nacionais e internacionais.      

Pedro Rocha e Silva ocupa um lugar de topo nos escritórios de Portugal da multinacional Heidrick & Struggles. A carreira profissional do executivo, ligada à Gestão de Recursos Humanos, passa por Lisboa e pelo estrangeiro, mas as suas memórias de infância e adolescência apontam para Febres. Na vila gandaresa, terra natal do seu pai, brincou, frequentou bailes e fez amigos para a vida.

O consultor, especializado em Gestão de Recursos Humanos, já integrou os quadros de diversas empresas de renome, a nível nacional e internacional. É o caso da Portugal Telecom, da Andersen Consulting e, desde 2007, da Heidrick & Struggles. Já desempenhou funções em consultoria, formação e recrutamento. Trabalha nos bastidores e o seu principal objectivo é resolver problemas concretos das empresas. Antes da azáfama em Lisboa, viveu em Leiria, mas os Verões significavam, quase sempre, uma visita a Febres.

“Sou natural de Leiria, mas as minhas origens remontam a duas geografias distintas”, sendo elas Febres, de onde o seu pai é natural, e Pinhel, a terra que viu nascer a mãe. São muitos os que recordam com carinho o pai de Pedro, o professor de Matemática Américo Rocha e Silva, já falecido, que leccionou em Febres e em Cantanhede. Durante a semana, o docente exercia a sua profissão em solo gandarês e só aos fins-de-semana é que se deslocava à residência familiar de Leiria. Não é de estranhar, portanto, que os seus dois filhos tenham desenvolvido ligações afectivas com a vila que acolheu o escritor Carlos Oliveira, laços esses que continuam a cultivar, visitando-a com alguma regularidade.

“Tenho memórias fantásticas de Febres, desde os desafios de futebol, em que via jogar, por exemplo, o Vítor e o Jorge Catarino, que depois foi para a Académica”. A sua proximidade ao clube de futebol febreense tinha uma razão de ser, pois tanto o pai como o tio ocuparam o cargo de presidente da instituição desportiva. Acresce que Pedro Rocha e Silva sempre foi -– continua a ser – um verdadeiro entusiasta do “desporto rei”. “Acompanhava sempre os resultados do Febres, inclusivamente quando jogava na III Divisão. Lembro-me bem desses tempos, de ir ver jogos fora, à Guia, a Poiares e a outras localidades”. 

Longe do bulício da cidade, o jovem Pedro aproveitava a calma do campo para se fazer deslocar num dos meios de transporte mais comuns à época. “Andava muito de bicicleta e achava isso fantástico. Por altura da ‘Volta a Portugal’ fazia quase a réplica das etapas, a percorrer as localidades de Chorosa, Sanguinheira, Serredade, Arrancada, Lagoas… tudo de bicicleta e a medir os tempos”. Utilizava ainda o meio de transporte de duas rodas para ir comprar jornais desportivos a Vilamar ou a Cantanhede.

Outra actividade que gostava de praticar em Febres era a pesca, nomeadamente nas várias lagoas existentes na freguesia. O contacto de perto com animais também fascinava o rapaz habituado a residir num apartamento citadino. Em Leiria, o contacto mais próximo que tinha com a vida rural acontecia graças a uma incubadora. “O meu pai levava a chocadeira e na garagem acompanhava todo o processo de chocar os ovos. Quando as codornizes ou os patos nasciam, trazia-os para Febres”. 

Com o avançar dos anos, as brincadeiras típicas dos petizes deram lugar a outras distracções. Um dos pontos altos das suas férias lectivas de Verão era a festa anual de homenagem à Nossa Senhora das Febres, um evento onde era possível (re)encontrar familiares e amigos emigrados.

“À excepção de uma ou outra vez que íamos para o Algarve, as férias de Verão eram passadas nas terras dos nossos pais. E eram períodos relativamente longos, porque na altura havia férias longas”. “A rotina era muito interessante. Ainda não havia a ‘febre’ dos computadores. Era tudo muito mais natural: jogar à bola, correr, andar de bicicleta, ir às festas, comprar rifas e ver os bailaricos”. 

Uma aula de Gestão

Ao concluir o 12.º ano na Escola Secundária Domingos Sequeira (Leiria), Pedro Rocha e Silva só tinha uma certeza. “Tinha ideia do que não queria, que eram as áreas de Medicina e de Direito, que me assustavam um bocadinho”. Foi a curiosidade que a Gestão lhe suscitava que o levou a candidatar-se ao Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), em Lisboa. “Foi um pouco por influên-cia de um primo meu, do lado da minha mãe, que estudava lá e de alguma forma me ‘vendeu o peixe’ e me passou boas informações sobre a faculdade”. 

Antes disso, o desporto, uma paixão que o acompanhava desde tenra idade, valeu-lhe de muito aquando das provas de ingresso ao ensino Superior. “Foi o primeiro ano da Prova Geral de Acesso e tive a sorte de lá calhar uma composição sobre desporto. Brilhei, tive uma nota fantástica, 90 pontos, quase sem ter estudado nada para aquilo”.  

Ir para a capital de Portugal implicou ficar longe de casa, embora confesse ter-se adaptado bem ao novo ambiente. “Desfrutei muito da vida académica, se calhar muito mais do que fazia na escola secundária, onde eventualmente até fui mais aplicado. Aproveitei e explorei a componente boémia, sem pôr em causa o curso”. 

A sua capacidade inata para gerir bem o tempo permitiu-lhe envolver-se em várias iniciativas ligadas à Associação de Estudantes e à comissão de finalistas. Hoje, olhando para trás, reconhece a importância que o equilíbrio entre a diversão e a responsabilidade tiveram no momento de ingressar no mercado de trabalho.

Sendo Gestão um curso abrangente, Pedro Rocha e Silva foi confrontado no último ano da licenciatura com a necessidade de escolher uma especialização. Algo que aconteceu, uma vez mais, por exclusão de partes. “Não podia escolher a área financeira porque numa cadeira, penso que de Gestão Financeira, uma professora que aprecio muito deu-nos, a mim e a mais dois amigos, um ‘10 condicional’, mediante o compromisso  de que não seguiríamos Finanças”. Um “acordo” que os três estudantes celebraram logo no momento, conta Pedro Rocha e Silva com ar travesso.

Restava-lhe optar entre Recursos Humanos ou Marketing e a escolha do jovem aspirante a gestor recaiu sobre a segunda hipótese. “Acabei por nunca exercer Marketing. Ainda tive duas ou três entrevistas para funções nessa área, mas acabei por escolher a consultoria”. 

Prescrição de “medicamentos” 

O primeiro emprego de Pedro Rocha e Silva surgiu na sequência de um convite endereçado por um professor. Corria o ano de 1994, tinha terminado a licenciatura, e o desafio colocado, a ele e a dois colegas, consistia em elaborar “um projecto de criação de uma empresa na Marinha Grande, no meu caso na área dos vidros semi-automáticos”. “Era um projecto remunerado e, sendo uma aposta de um professor, não se podia dizer que não”. Para levar a cabo o desafio, teve de proceder a uma análise de mercado e, entre outras tarefas, entrevistar várias pessoas. Embora ainda não o soubesse, esta viria a ser uma função central na sua carreira, anos mais tarde.

O desejo de seguir a consultoria materializou-se pouco tempo depois, ao entrar para a prestigiada Andersen Consulting. “É uma empresa de referência na consultoria. Aquilo na altura pareceu-me muito interessante. Aliás, o mais interessante que se pode desejar para quem começa uma carreira em Gestão. A consultoria é uma escola. Dá umas bases fantásticas para a partir daí fazer tudo e mais alguma coisa, pelo contacto com várias empresas e pelo trabalho de concepção, análise e pesquisa”. 

Na Andersen, foi consultor em vários sectores de actividade, desde telecomunicações, bens de consumo, automóvel, financeiro e construção civil. “Fiz desde projectos de programação de sistemas de informação para o Estado até projectos de planos estratégicos, reengenharia de processos, diagnósticos organizacionais e modelos de avaliação de desempenho”.

A trabalhar como uma espécie de “médico” das empresas, Pedro Rocha e Silva era chamado para resolver problemas organizacionais internos. Um dos seus clientes foi o Jornal de Notícias (JN). “No JN fizemos um trabalho de diagnóstico organizacional” que consiste em escutar  “as pessoas todas da organização para saber o que funciona bem e o que funciona mal e, depois, propor medidas”. 

Por querer focar-se em Recursos Humanos, mudou-se para a Watson Wyatt, também com escritórios em Lisboa. “Não cheguei a lá estar um ano, mas foi fantástico. Adorei trabalhar com aquela equipa. O ambiente no trabalho era dos melhores onde já estive”.    

A sua rápida passagem por aquela empresa deveu-se a um “convite irrecusável” enviado pela Portugal Telecom (PT). “Todo o consultor tem o sonho de um dia passar para o lado do cliente. Eu não fugi à regra”. Na operadora de telecomunicações deu formação a vários níveis, incluindo a administradores, executivos e quadros técnicos. “Tinha um departamento com cerca de 20 pessoas debaixo da minha responsabilidade”. Geria, ainda, todos os assuntos relacionados com recrutamento, compensações salariais e desempenho dos funcionários. Uma tarefa nada fácil, quanto mais porque a PT tinha dez mil funcionários. “Numa área de suporte como os Recursos Humanos, basta pensar que se um por cento dos trabalhadores tiver um tema para tratar, num dia são 100 pessoas…”. 

O executivo permaneceu seis anos na PT até se mudar para uma firma mais pequena, baptizada por Talent Search, em que a sua missão era, basicamente, procurar no mercado as pessoas certas para ocuparem determinado cargo numa empresa. “Dou um exemplo: vamos imaginar que alguém nos pede um director financeiro com experiência no sector dos lacticínios. Se não tiver ninguém na base de dados, não tenho outro remédio senão ir às empresas daquele sector descobrir quem são os directores financeiros”.     

Os jovens e o (des)emprego 

Em 2007, Pedro Rocha e Silva integrou os escritórios de Lisboa da prestigiada Heidrick & Struggles, e por lá permanece até aos dias de hoje, ocupando actualmente o cargo de “principal”. Trata-se de uma empresa especializada em consultoria e recrutamento de executivos.

Por ser um profundo conhecedor do mercado de capital humano, pedimos-lhe que traçasse o perfil do jovem recém-licenciado português. Pessoas mais exigentes e menos disponíveis para determinadas funções são uma das primeiras características referidas. “O nível de entrega e de disponibilidade não são oferecidos de ‘mão-beijada’, como acontecia há uns anos”.

Por outro lado, vê os jovens com outro tipo de abertura em termos de horizontes. “A Internet veio ajudar muito. Vejo mais jovens a sugerirem ideias em termos de actuação e mais conscientes  em temas de sustentabilidade”.

E qual é o futuro para a geração mais qualificada de sempre, que continua a viver num país onde o desemprego aumenta de dia para dia? “Aí repito o que um ministro disse. Atendendo a como está o contexto macro-económico em Portugal, a perspectiva deve ser, se tiverem oportunidade, de olharem para o mercado de uma forma global”.

Porém, caso a aposta seja permanecer no país de origem, há um factor que deve ser sempre levado muito a sério. “Quando forem chamados para uma entrevista ou quando enviarem um currículo, têm de marcar a diferença”.