A jovem Mariana Oliveira qualificou-se recentemente para a gala final do Grande Prémio do Fado, promovido pela RTP. Com 14 anos de idade, a sua melodiosa voz já se fez ouvir em vários concursos musicais. Na Praia de Mira, encontrámos uma menina que diz não se deixar deslumbrar pelo mediatismo e que coloca os estudos em primeiro lugar, esperando vir a ser jornalista ou médica.

Em Portugal, são cada vez mais as histórias com finais amargos de figuras públicas habituadas às luzes da ribalta que se vêem no anonimato de um momento para o outro. Nos dias que correm, ser famoso é quase tão fácil como ser esquecido, e muitos não estão preparados para voltar às vidas que levavam antes de estarem sob os holofotes. Ter a plena noção de que o mundo do espectáculo tende a ser efémero, pode evitar desfechos menos felizes aos artistas com ascensões meteóricas. “Falar é fácil”, já diz o adágio popular, sendo certo que o apoio da família e dos amigos pode revelar-se fundamental para os ajudar a manterem-se com os “pés assentes em terra”.

No caso de Mariana Oliveira, os seus pais desdobram-se em funções, agendando actua-ções para a filha e levando-a até aos locais dos espectáculos. Mas nunca se esqueceram do seu papel principal enquanto educadores, sendo uma presença constante na vida da jovem de 14 anos.

“Comecei a cantar quando tinha 11 anos. Estava a ver o programa de televisão da TVI ‘Uma Canção Para Ti’ e cativou-me a forma como os jovens conseguiam transmitir os seus sentimentos através da música. Gostei mesmo muito de ver e comecei a cantar por brincadeira”, contou-nos a simpática Mariana.

A “brincadeira” ganhou contornos mais sérios quando pediu à sua avó para a inscrever na segunda edição do programa televisivo. Teve algumas aulas de canto e foi com a mãe até Lisboa. Hoje, guarda a memória da reacção da progenitora ao vê-la sair do primeiro casting. “Saí a chorar e a minha mãe disse-me: ‘Vês, não devias ter vindo, eu disse que não ias passar’. Eu respondi-lhe que tinha passado e que estava a chorar de alegria”. Nesse concurso, ficou classificada entre os 30 primeiros.

Apesar de não ter chegado à final, não baixou os braços e continuou a tentar a sua sorte naquilo que mais gostava. “O meu lema é não desistir. Se tenho um sonho, luto por ele e dou tudo por tudo para conseguir alcançá-lo. Também trabalho muito para isso”. 

Essa determinação, pouco habitual na sua idade, aliada ao seu talento, levou-a a ser considerada a melhor voz de Coimbra, na edição de 2010 do “Achas que Sabes Cantar?”, então dinamizado pelo jornal Diário As Beiras.

Posteriormente, conquistou o 1.º lugar no concurso “Jovens Cantores de Mira”, em Julho de 2011 (no ano anterior tinha ficado em 2.º lugar), e chegou à final do “Canta Comigo”, promovido pela estação de televisão de Queluz de Baixo. “Foi a primeira vez que fui à televisão e esse sempre foi um dos meus sonhos”. Fascinaram-na ainda o contacto com figuras públicas e as novas amizades que travou.

Embora não esperasse “ir muito longe”, triunfou na final trimestral do Grande Prémio do Fado, e agora vai disputar, a 6 de Outubro, no Casino do Estoril, a gala final daquele concurso organizado pela RTP. Confessa que se candidatou ao programa para experimentar um novo estilo musical, justificando essa necessidade após se ter apaixonado por temas de Amália Rodrigues. “Quando ouço um fado, revejo-me no que a letra diz. Sentir o que as pessoas estão a cantar é muito importante”.  

 

Canção da maturidade 

Além das aulas de canto, dos ensaios com um guitarrista e das actuações, Mariana Oliveira está envolvida em outras actividades, como o ballet, o teatro, a catequese e o estudo da língua inglesa. O que não lhe deixa muito tempo livre. A juntar a isso, a sua visibilidade tem vindo a aumentar, obrigando-a a alterar alguns aspectos do seu quotidiano. Entretanto, já se habituou a lidar com fãs e a receber mensagens de apoio de desconhecidos. Mas é aos que lhe são próximos que vai buscar a força para continuar. “É muito importante nós sabermos que temos alguém que nos apoia e que gosta do que fazemos”. “Se tivermos esse apoio por parte da família e dos amigos, sentimo-nos muito mais realizados nesta área”. 

Lidar com tantas solicitações não é fácil e a jovem Mariana confessou-nos que é imprescindível ter uma grande capacidade de organização. Só essa característica lhe permite obter excelentes resultados no Colégio Diocesano de Nossa Senhora da Apresentação, em Calvão. A frequentar o 8.º ano de escolaridade, não esconde a sua curiosidade natural nem a necessidade de estar constantemente a comunicar. “A palavra que me define é ‘falar’”, portanto não surpreende o facto de querer ingressar em Jornalismo. Porém, a ideia de seguir Medicina continua a estar nos seus horizontes.

Conceição Nogueira, mãe de Mariana, acompanhou toda a entrevista, intervindo pontualmente para atestar que a filha não se deixa deslumbrar pela fama. “Na terceira edição de ‘Uma Canção Para Ti’, perguntei-lhe se queria participar e ela disse-me que não porque era em tempo de aulas”. “Ela gosta muito disto, mas sabe que em primeiro lugar está a escola. A partir daí, fiquei descansada”. | LM