O concelho de Cantanhede recebeu, no passado dia 27 de Janeiro, a visita do Ministro da Economia. Álvaro Santos Pereira visitou o Biocant Park, não tendo poupado elogios àquele que é o maior parque biotecnológico do País. O Presidente da Câmara de Cantanhede, João Moura, aproveitou a vinda do governante para partilhar algumas preocupações. 

O concelho de Cantanhede esteve na rota do Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, que decidiu vir conhecer um pouco melhor o tecido empresarial local, no âmbito da iniciativa “Empresas à Sexta”, com especial destaque para o Biocant Park. Depois de almoçar nas instalações do parque tecnológico, o Ministro reuniu com o Presidente da Autarquia cantanhedense e do Biocant Park, João Moura, e com o Presidente do Conselho Científico da infra-estrutura de base tecnológica, Carlos Faro.

Durante o encontro, para além da apresentação dos projectos de investigação e de transferência de tecnologia nas empresas e entidades instaladas no Parque, foram abordados em detalhe os contornos da sua expansão, já em curso, tendo sido iniciada recentemente a construção do UC-Biotech, para onde o Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra transferirá algumas das suas valências.

Seguiu-se uma visita às instalações, que permitiram um contacto próximo entre Álvaro Santos Pereira e os investigadores e empresários. Sempre muito interessado e disponível, o governante fez questão de conhecer as empresas sediadas no Biocant, bem como a tecnologia e o produto que têm vindo a desenvolver. Com passadas largas e decididas, seguido de perto por João Moura, Carlos Faro, membros do executivo camarário, empresários locais e jornalistas, percorreu laboratórios e visitou empresas.

Quis saber mais sobre criopreservação de células estaminais, mostrou-se impressionado com o “enokit”, que faz controlo em tempo real de videiras detectando possíveis contaminações e doenças, e ouviu cientistas partilharem ideias e experiências sobre como é a vida de investigador no estrangeiro. No final da visita àquele que é o maior parque de biotecnologia do País, e em que se concentram 30 por cento das empresas do sector, explicou o que o trouxe a Cantanhede: “A nossa estratégia é falar com as empresas, sejam micro, pequenas, médias, ou grandes empresas. Queremos perceber o que está a resultar e quais são os seus problemas, para podermos actuar”.

O “sangue da economia”

Quanto àquilo que viu, considerou um bom exemplo de como há vida para além de Lisboa e Porto: “Foi bastante importante para mim visitar o Biocant, porque é visível que a Região Centro e o Interior do País têm zonas de grande dinamismo, onde as empresas estão em ligação com as Universidades, mas também com as Autarquias”. O Ministro da Economia realçou mesmo “o trabalho notável feito pela Câmara Municipal de Cantanhede, no sentido de potencializar o maior centro de biotecnologia do País, um centro virado para as empresas. No fundo, ciência e investigação aplicadas, que produzem resultados e que aumentam o valor acrescentado da produção nacional”.

O Biocant Park foi mesmo considerado um exemplo “que importa saudar e fomentar”, já que consegue fixar em Portugal mão-de-obra técnica altamente especializada e qualificada. “Temos, de longe, a geração mais qualificada da nossa História, temos que criar as oportunidades para que essa geração fique em Portugal, mas também para que ao fazê-lo, crie valor, empresas, emprego e riqueza para o País”. Questionado sobre as principais preocupações que os empresários locais fizeram questão de partilhar consigo, assumiu que “os problemas de liquidez e de financiamento das empresas” estão no topo da lista de dificuldades. “Portugal está a atravessar dificuldades financeiras, e as empresas, que são o sangue da nossa economia, estão a sofrer as consequências”.

À margem da visita, João Moura deu conta ao titular da pasta da Economia das suas preocupações relativamente “a alguns obstáculos incompreensíveis que os empresários têm de enfrentar em matéria de licenciamento industrial e comercial. O Estado deve avançar rapidamente com mecanismos que permitam ultrapassar certos impedimentos constantes nos planos de ordenamento do território, muitos dos quais são um autêntico calvário para quem pretende investir e criar postos de trabalho”, considerou o autarca.

Naturalmente que João Moura reconhece a necessidade de haver planeamento e gestão do território, ferramentas “essenciais em qualquer processo de desenvolvimento sustentável. O que não devem é ser de molde a constituir um entrave ao progresso das comunidades”. O presidente da edilidade defendeu que “o mínimo que o Estado pode fazer é implementar políticas que vão no sentido de apoiar as iniciativas dos cidadãos, especialmente o empreendedorismo dos agentes económicos, factor crucial para promover a dinamização da base económica de qualquer comunidade”. A passagem de Álvaro Santos Pereira por Cantanhede incluiu, ainda, uma visita à Fapricela, indústria de trefilaria especializada no fabrico de pregos, arames de aço e malhas e redes soldadas, e uma das maiores empresas do Concelho. | FC

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