Os pólos de Vilamar, S. Caetano e Corticeiro de Cima da Unidade de Saúde Familiar (USF) “As Gândras” foram encerrados há algumas semanas, para grande descontentamento dos responsáveis das respectivas Juntas de Freguesia, que manifestaram a sua insatisfação junto da comunicação social e das entidades competentes, nomeadamente a Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro e o ACES Baixo Mondego III. 

“O encerramento dos três pólos resultou da saída de uma médica, tendo ficado apenas três médicos. A USF está a trabalhar nos limites mínimos, já que devia ter cinco clínicos, e assim sendo entendeu a USF que seria melhor centralizar os serviços”, explicou Carlos Ordens.

A medida espera-se temporária, mas o director executivo prevê que dificilmente os pólos possam reabrir a breve trecho: “Há efectivamente algum prejuízo para as populações e estamos preocupados com esta situação, mas só vindo um quarto médico se pode pensar na reactivação dos serviços. Vamos tentar junto da ARS resolver essa situação, mas será necessário algum tempo”. Contactada pelo AuriNegra, a ARS disse que “a situação da USF ‘As Gândras’ tem estado a ser atentamente acompanhada pelo Conselho Directivo em articulação com a Equipa Regional de Apoio (ERA) na área dos Cuidados de Saúde Primários, no sentido de poder vir a ser garantido o pleno funcionamento da unidade”.

Carlos Chieira, responsável pela Unidade, não quis comentar o assunto, considerando que o documento que foi enviado às redacções dos jornais e que foi subscrito pelos presidentes das Juntas de Freguesia acima mencionadas “contém intensas inverdades e graves omissões dos factos”. No dito documento, os autarcas contestavam a “suspensão de contratualização da USF ‘As Gândras’ com a ARS Centro e consequente encerramento dos Pólos de Corticeiro de Cima, Vilamar e S. Caetano”, mas o AuriNegra soube que a suspensão da contratualização nada teve que ver com o encerramento das estruturas. Aliás, a montante de ambas as ocorrências – encerramento dos Pólos e cessação da contratualização, está a falta de um médico que afecta a Unidade de Saúde Familiar de Febres.

Disso mesmo tinham conhecimento os presidentes de Junta em questão, já que ainda em Maio deste ano foi encaminhado para a ARS um pedido urgente de integração de um médico na equipa da USF, documento que seguiu com o conhecimento dos três responsáveis, de acordo com Carlos Chieira. A Unidade de Saúde foi aprovada com uma equipa de quatro médicos, cinco enfermeiros e quatro administrativos, funcionando, actualmente, com três médicos, quatro enfermeiros e três administrativos. Na USF vive-se por estes dias um ambiente de revolta e indignação, com os profissionais de saúde a lamentarem a injustiça das informações que têm vindo a público e o facto de nunca ter sido mencionada a real causa do encerramento: a falta de um médico.

A USF “rejeita veementemente” que esteja a ser posta em causa a qualidade e a eficácia do serviço, reconhecendo, naturalmente, “a dificuldade de alguns utentes na deslocação a Febres” e sugerindo, por isso, que os três presidentes das Juntas de Freguesia de Vilamar, S. Caetano e Corticeiro de Cima possam procurar uma solução conjunta para o transporte dos utentes afectados, nomeadamente um “veículo partilhado que possa fazer recolha e distribuição” dos mesmos. A falta de um médio em Febres traduz-se numa redução em 25 por cento do total da equipa e implica a “não cobertura de um ficheiro clínico de cerca de 1.900 utentes”, conduzindo, obrigatoriamente, à redução da “oferta assistencial, assim como da amplitude de cobertura assumida inicialmente pela USF”.

Por ter influência directa no cumprimento ou não dos indicadores contratualizados com a ARS, a falta de médico acabou por ditar o pedido de cessação de contratualização por parte da USF, a fim de não haver prejuízo na avaliação de desempenho. Recorde-se, aliás, que no Relatório de Avaliação de 2010 da Contratualização com Unidades de Saúde Familiar, a USF “As Gândras” foi uma das que melhoraram o nível de pontuação em relação ao obtido em 2009, sendo uma das quatro de toda a Região Centro que passaram a usufruir incentivos institucionais. | FC

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