Febres voltou a ser “menina” por umas horas e foi o foco de todas as atenções. Os 220 anos volvidos sobre a sua formação enquanto freguesia assinalaram-se com um dia repleto de actividades, em que o passado e o presente andaram de “mão dadas”, mas sempre com os olhos postos no futuro.   

O passado dia 19 de Novembro teve um significado especial para os febreenses com as “Comemorações dos 220 anos da Freguesia de Febres”. O evento teve início às 10h00, no Salão Nobre do edifício da Junta, com um Porto de Honra. Uma hora mais tarde, pelas 11h00, celebrou-se uma missa na Igreja Matriz, a que se seguiu uma romagem ao cemitério local, onde aconteceu uma cerimónia de descerramento de uma lápide dedicada aos antigos chefes de executivo e seus colaboradores. “Em homenagem e com gratidão a quantos, ao longo de mais de dois séculos, trabalharam em prol do desenvolvimento da freguesia de Febres”, pode ler-se na inscrição.

À noite, o salão do Centro Paroquial da sede de freguesia encheu-se para assistir a uma actuação do Coro Infantil de Febres, que voltou a encantar uma plateia. No decorrer do Sarau Cultural, foram vários os temas interpretados pelos cantores de “palmo e meio”. E os fortes aplausos mostraram bem o orgulho da população no grupo formado há pouco mais de ano e meio.

Mas também houve espaço para a intervenção de várias personalidades ligadas à Freguesia e à Gândara. Na tribuna colocada no palco do salão, o Presidente da Junta, Carlos Alves começou por prestar o seu reconhecimento aos ex-autarcas e a “todas as forças vivas e activas de Febres”. De seguida, o seu discurso centrou-se nos desafios que o futuro reserva, designadamente a “diminuição considerável das transferências do Estado para as freguesias”. A Reforma da Administração Local, um tema abordado por diversos intervenientes, também mereceu a sua atenção. Antes de terminar o seu discurso, o chefe do Executivo não quis deixar de salientar o “conjunto de acções, eventos e iniciativas” levados a cabo pela Junta de Febres para lutar “contra a crise que nos assola”.  

O presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, João Moura, fez questão de estar presente na celebração da efeméride, referindo o “período inesquecível” da sua juventude passado em Febres. O edil deteve-se um pouco sobre a “história tão longa e tão rica” daquela comunidade e sublinhou o “grande salto de desenvolvimento” registado nos últimos 50 anos. As medidas de austeridade impostas pela troika e a “diminuição apreciável nas transferências de verbas da Administração Central” para as autarquias também foram assuntos mencionados. No entanto, o chefe do executivo cantanhedense deixou uma mensagem de confiança aos febreenses: “Que fique bem claro que não estão em causa os projectos que nos propusemos concretizar na freguesia de Febres”.     

Estórias da terra

Cidalino Madaleno, professor reformado e investigador de temas da Gândara, recuperou alguns episódios caricatos da história de Febres do final do século XIX e início do século XX, no período compreendido entre o final da Monarquia e os primeiros anos da República. Já Neto Mendes, docente na Universidade de Aveiro, optou por fazer uma análise partindo da realidade internacional até questões de âmbito local.

A última intervenção da noite esteve a cargo de Jorge Catarino que preferiu “despir a farda” de presidente da Assembleia Municipal de Cantanhede para protagonizar “uma conversa em família”. Num registo bem-humorado, o “filho da terra” partilhou com o público presente algumas peripécias da sua juventude. Ainda assim, não resistiu em alertar para os tempos “muito difíceis” que se avizinham.

As “Comemorações dos 220 anos da Freguesia de Febres” terminaram com um espectáculo do grupo de fados Aldeia Velha e um magusto . | LM


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