Foi lançada no dia 7 de Outubro, na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, a mais recente obra de Natália Queirós. “Um Legado de Petrarca” é uma sentida incursão da ex-juíza do Tribunal de Cantanhede pelo universo da poesia e dos sonetos. 

Ainda que quente, a noite de sexta-feira, 7 de Outubro, foi o cenário perfeito para o lançamento da obra poética “Um Legado de Petrarca”, da autoria de Natália Queirós, ex-juíza no Tribunal de Cantanhede e mentora do projecto de teatro infanto-juvenil da Biblioteca Municipal daquela cidade. Foi em Coimbra, na Casa Municipal da Cultura, que o livro foi apresentado perante uma plateia de perto de uma centena de convidados, num bonito e agradável encontro de pessoas com uma paixão comum: a arte. Literária, sobretudo, mas também musical, já que o lançamento da obra, com edição a cargo da Minerva Coimbra, contemplou a actuação do Quarteto de Cordas “Ars Camarae”, que brindou os presentes com um brilhante desempenho.

A apresentação da autora, Natália Queirós, mulher de força, coragem e determinação (que foi, recentemente, entrevistada pelo nosso Jornal), foi da responsabilidade de Maria José Azevedo Santos, professora na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (UC) e vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra. A docente salientou as qualidades humanas de Natália Queirós, o seu altruísmo e dedicação aos outros, mas também a tudo o que é expressão artística e cultural. “É uma mulher extraordinária, uma mulher da lei, mas também da cultura. É, verdadeiramente, uma poeta”, considerou Maria José Azevedo Santos.

A autarca acabaria por recordar o período em que conheceu a juíza jubilada, aquando da sua ligação à Santa Casa da Misericórdia, em concreto com o Colégio de S. Caetano. Aí, Natália Queirós dinamizou “um jornal feito de dádiva e de carinho, cujo valor das vendas revertia na íntegra para a Instituição”, recordou a apresentante. Mais uma prova da integridade da autora, mulher  “de plural cultura, apaixonada pelo teatro, pela música e pela poesia, a quem enquanto cidadã expresso o meu mais sentido reconhecimento por ser alguém que, ainda hoje, continua a oferecer o que de melhor tem em si”.

Já Rita Marnoto, também docente da Faculdade de Letras da UC, centrou-se na obra em apreço. Especialista em Petrarca e no Petrarquismo, elogiou a escrita de Natália Queirós, a perfeição dos seus sonetos e da sua métrica, numa sentida homenagem à escrita daquele que foi “o primeiro dos poetas modernos, que trouxe as contradições da existência, da vida e das emoções, numa poesia de inquietude”.  “Um Legado de Petrarca” é uma colecção de 32 sonetos que exploram temas muito diversos mas que reflectem sempre “as dúvidas de quem vive, de quem se interroga. É uma poesia que nos toca no nosso íntimo”.

Puccini e Vivaldi também marcaram presença, pelas mãos hábeis dos elementos do Quarteto de Cordas “Ars Camarae” que abrilhantaram o evento e não deixaram ninguém indiferente ao seu talento. Liderados por Rodrigo Queirós, filho da autora, pontuaram o serão com a interpretação de diversas peças clássicas, que foram sendo alternadas com a declamação de sonetos do livro agora editado, feita por elementos do Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Cantanhede, nomeadamente Maria Edith Garrido, Maria Dulce Sancho, Maria João Espírito Santo e Maria Teresa Paixão.

Natália Queirós considerou Coimbra a cidade ideal “para alguém se lembrar de trazer Petrarca novamente ao nosso trato”, agradecendo as palavras amáveis das anteriores oradoras, e considerando a sua mais recente obra pequena em tamanho mas imensamente grande dentro de si. “Se cada um de vós se identificar com um dos sonetos que seja, estaremos irmanados”. Terminou assim a sessão que muitos dos presentes consideraram das mais agradáveis em que tinham participado, sobrando os elogios para o Quarteto de Cordas, mas também para o quarteto de mulheres bonitas e de forte presença que compuseram a mesa: Natália Queirós, a autora, Rita Marnoto e Maria José Azevedo Santos, apresentantes, e Isabel Garcia, responsável pela editora Minerva Coimbra. | FC