Filipe Frazão, jovem desportista do Basquetebol Clube de Cantanhede, foi (novamente) chamado aos trabalhos da Selecção Nacional de Sub-16 da modalidade. Muito trabalho, empenho e disciplina têm sido os segredos do sucesso do pupilo de Diogo e Luís Amoroso Lopes. 

Na família Amoroso Lopes, mais do que a cor dos olhos ou do cabelo, é o basquetebol que tem sido transmitido de geração em geração. O clã tem uma longa ligação à modalidade, com pais, filhos e avós a envergarem com frequência a camisola da Selecção Nacional. Diogo Amoroso Lopes é, aos 68 anos, um nome incontornável no basquetebol em Portugal, e o filho, Luís, segue-lhe as pegadas. Depois de carreiras notáveis enquanto jogadores, pai e filho voltaram-se para a formação, estando actual-mente ligados ao Basquetebol Clube de Cantanhede (BCC).

Filipe Frazão tem 15 anos e pratica basquete há cinco, no BCC, onde começou por ser orientado por Diogo Amoroso Lopes. Tem feito um percurso notável, quer em termos desportivos, quer enquanto pessoa, nunca deixando de se aplicar nos estudos, já que a metodologia do treinador é muito específica nesse aspecto: quem não tem boas notas, não treina. Filipe tem-se destacado dentro de campo, com a convocatória para o estágio da Selecção de Sub-16, pelo segundo ano consecutivo, a ser prova disso mesmo.

“O mérito é todo dele. Se fosse meu, eu fazia 20 miúdos iguais a ele”, assume Amoroso Lopes. Ao seu lado, atento à conversa, um Filipe tímido recebe o elogio de olhos postos na mesa. “Este miúdo adora basquete. Ele traçou uma meta, tornou-se mais disciplinado, ajuda os colegas e chegou lá. Além de ser bom para ele e para o Concelho, este reconhecimento do seu trabalho é bom para os outros, que se sentem motivados com este exemplo”. Com treino e disciplina tudo é possível, pelo menos é essa a tónica do discurso de Amoroso Lopes.

Os ensinamentos parecem estar a surtir efeito nos jovens desportistas, agora sob o comando técnico de Luís Amoroso Lopes, já que nos últimos 20 jogos disputados, cinco dos quais em Espanha, os basquetebolistas do Clube de Cantanhede apenas conheceram o sabor da derrota uma única vez, contra o Futebol Clube do Porto. Ainda assim, este resultado negativo acabou por se revelar uma lição valiosa, uma oportunidade de ouro para crescer e aprender com os erros: “Esta derrota foi importantíssima para a equipa evoluir. Tornou-os mais humildes, mais disciplinados e com mais espírito de equipa. Afinal, se não houver o erro, não há evolução”, explicou Amoroso Lopes “pai”.

Saltar cada vez mais alto

Mas afinal, o que é que torna o Filipe um jogador “seleccionável”? Será uma apetência inata para converter “cestos”? Terá uma grande facilidade na linha de “três pontos”? “O Filipe é o capitão de equipa pelo exemplo que dá enquanto jogador. É o primeiro a chegar aos treinos, e treina porque quer saltar mais um centímetro ou ser um segundo mais rápido. Por ser um exemplo em tudo, tem dado cartas no Clube, nas Selecções Distritais e certamente que também o irá fazer na Selecção Nacional”, justificou Luís Amoroso Lopes.

O BCC forma jogadores de basquetebol, mas não esquece a importância de educar para a vida em sociedade e para a importância de obter bons resultados nos estudos. Disciplina, responsabilidade e pontualidade são qualidades que o treinador identifica em Filipe, traços que lhe têm permitido saltar cada vez mais alto no basquetebol, mas também na Escola, onde tem sido aluno aplicado: “Quando se atingem boas notas nos estudos, atinge-se, normalmente, maior eficácia no basquete”, defende Amoroso Lopes “filho”.

Neste escalão de formação Filipe ainda não joga “fixo”, vai rodando e testando as posições de base, poste e extremo, até que se descubra a sua vocação natural. “Ele vai dando indicações de extremo”, afiança Amoroso Lopes, o Diogo, e não o Luís. Com 15 anos, Filipe já superou o metro e noventa de altura, mas a barreira dos dois metros pode ser difícil de alcançar. No entanto a sua estatura tem sido mais que suficiente para chegar aos 50 pontos num jogo, uma marca assinalável e que não está ao alcance de todos.

“O Filipe tem que continuar a trabalhar muito e tem que se guiar por exemplos. O meu pai costuma dizer-me isso, que eu me devo guiar por exemplos, seja do melhor plano de treino ou de outra coisa qualquer, e o Filipe também tem que o fazer”, assume Luís Amoroso Lopes. O exemplo que Filipe tem seguido está do outro lado do Atlântico, chama-se Kobe Bryant, joga nos Los Angeles Lakers, e é considerado por muitos o melhor basquetebolista da actualidade. Quanto à chamada à Selecção Sub-16, o jovem de Cantanhede mostra manter os pés bem assentes na terra: “Para mim é uma grande responsabilidade, pois foi necessário muito esforço e havia muitas outras pessoas que queriam estar lá. Eu estou a tirar esse lugar aos outros, mas acho que mereço”.

O orgulho dos Amoroso Lopes presentes é visível, o Filipe tem, sem sombra de dúvida, a lição bem estudada. E no futuro Filipe, como é que vai ser? “Bom, sem contar com estudar…”, graceja olhando para os seus mentores, “gostava de ser jogador profissional de basquete. Com mais esforço acho que é possível, com respeito e dedicação ao máximo”. “É das melhores coisas que existem, vermos jogadores nossos chegarem ao mais alto nível”, remata Luís Amoroso Lopes. Apesar da crise, o “negócio” da família Amoroso Lopes parece ir “de vento em popa”. | FC