“Antologia de Ficcionistas Gandareses” é o título do projecto que reúne 21 textos de ficção de escritores com fortes ligações à Gândara. Desde os autores, passando pelos coordenadores editoriais, até ao responsável pela concepção da capa, todos têm em comum um sentimento: a paixão pela região que inspirou a obra literária do poeta e romancista Carlos de Oliveira.

A ideia para a publicação do livro “Antologia de Ficcionistas Gandareses” surgiu da união de dois projectos distintos. “Várias pessoas se foram apercebendo da necessidade de reunir, sob a forma de antologia, os escritores de ficção gandareses. Tivemos conhecimento que havia um trabalho comum, sem sabermos uns dos outros, e aí é que fomos juntando o que já estava feito ao que era para fazer”, avançou Silvério Manata, escritor e fundador da Confraria Nabos e Companhia, de Carapelhos, concelho de Mira. “Há quatro anos, a Confraria promoveu um concurso literário, integrado na ‘Feira dos Grelos’, já perspectivando uma compilação que seria editada”. “O modelo sofreu alterações porque concorreu muito mais gente do que estávamos à espera”. Por essa altura, Idalécio Cação, escritor, e João Cruz, recentemente distinguido com uma menção honrosa no Prémio Literário João Gaspar Simões, atribuído pelo município da Figueira da Foz, estavam envolvidos num projecto semelhante. “A união faz a força”, já diz o adágio popular, pelo que a Confraria de Carapelhos decidiu reunir esforços e avançar com a antologia. “Houve o cuidado de ir buscar duas pessoas inquestionáveis na literatura local para coordenar o projecto: Idalécio Cação, o ac-tual mestre das letras gandaresas, e Victor Fernandes, professor de português, reformado, e um excelente crítico literário”. 

Em 2011, a Confraria de Carapelhos tornou-se a entidade promotora do livro, contando com o apoio dos municípios da Figueira da Foz, Montemor–o-Velho, Cantanhede, Mira e Vagos. Nesta fase, os dois coordenadores editoriais definiram os critérios a adoptar para a publicação. “Umas das exigências para entrar na antologia é ter obra publicada”, adiantou Silvério Manata ao Aurinegra. A ordenação dos escritores por idade e a utilização da ortografia anterior à aprovada pelo Novo Acordo Ortográfico são outras das regras definidas pela equipa editorial. O resultado são 12 autores [ver caixa] reunidos e 21 textos, sendo dois deles inéditos: “Alguma Vez Há-de Ser”, de Idalécio Cação, e “Três Laranjadas, Pago Eu”, de Fátima Bica. “É claro que existe muito mais gente com mérito e talento, mas que não está ligada à área da ficção. Pretendemos editar futuramente outros autores”. Para Silvério Manata, este é um trabalho que já devia ter conhecido a luz do dia. “Já que as autoridades oficiais ligadas à Cultura nunca o fizeram, fizeram outras entidades, neste caso uma associação”.  

Os “discípulos” de Carlos de Oliveira 

João Cruz, escritor de São Caetano, que assina os seus textos com o pseudónimo António Canteiro, descreve o livro como uma forma de “congregar os escritores existentes na Gândara que beberam, de certa forma, de todo o património literário deixado por Carlos de Oliveira”. “O sonho vai tornar-se realidade, por ironia do destino, no ano em que, se fosse vivo, Carlos de Oliveira faria 90 anos, a 10 de Agosto. E que fez, no pretérito dia 1 de Julho, 30 anos sobre a sua morte”, acrescentou. O escritor acredita que antologia será “a fina-flor da escrita de cada autor gandarês, ainda existente entre nós, podendo ser um livro didáctico a usar nas nossas escolas, a par com o vulto Carlos de Oliveira, já anteriormente adoptado no âmbito curricular do ensino secundário”. 

O desenho da capa do livro, a editar pela Gradiva Editores, é da autoria de Alves André, escultor e pintor residente em Portunhos, concelho de Cantanhede, responsável pela criação de várias obras que se encontram na Gândara, como o “Monumento ao Ourives Ambulante”, em Febres, “Monumento ao Emigrante”, na Camarneira, “Monumento ao Pescador”, na Praia de Mira, “Estátua Equestre do 1.º Marquês de Marialva”, em Cantanhede, entre outras. De acordo com Silvério Manata e João Cruz, o lançamento da “Antologia de Ficcionistas Gandareses” vai acontecer na sede da Confraria Nabos e Companhia, numa data ainda a definir, mas nunca antes do final do Verão, a que se seguirão as apresentações nas cinco sedes de concelho que apoiam a obra. 

Escritores representados

Ribeiro Maçarico, Silvério Manata e Fátima Bica, de Mira; Ferro Santos, António Castelo Branco, Cândido Ferreira, António Canteiro e Elisa Pedrosa, de Cantanhede; Idalécio Cação e João Encarnação Reis, da Figueira da Foz; Paulo Frade, de Vagos; e Lurdes Breda, de Montemor-o-Velho. | LM