A natação do concelho de Cantanhede está bem e recomenda-se. A prová–lo estão os excelentes resultados que têm sido alcançados pelos nadadores da Columbófila, com destaque para Florbela Machado, duas vezes campeã nacional júnior em apenas uma semana.
Tem a timidez típica de uma menina de 14 anos, fica pouco à vontade quando lhe fazem perguntas e quando nos responde a sua voz é quase inaudível. Florbela Machado reage assim fora de água, mas no seu elemento, em prova, transfigura-se. É uma nadadora determinada, competitiva e que dá sempre tudo por tudo para ser a primeira a chegar ao fim. Nada “desde pequena”, primeiro na Mealhada, agora pela Sociedade Columbófila Cantanhedense (SCC), não se lembra há quantos anos começou mas recorda que “ainda não andava na escola”.
Começou a praticar “para se divertir” mas a brincadeira tornou-se coisa séria e actual-mente o nome de Florbela começa a ser conhecido um pouco por todo o País. Ricardo Antunes, Técnico Principal da SCC/Oryzon Energias, explica que o processo de formação dos nadadores começa “com o ensino de todos os estilos, havendo a posteriori uma selecção mediante características físicas e técnicas dos alunos que pretendam participar em competição. Só começa a haver competição mais a sério no escalão de infantis, mas só se pode falar em alto rendimento no escalão de juniores, aquele em que ela se encontra agora”.
Florbela começou a dar bons indicadores a meio do primeiro ano enquanto infantil, mostrando que podia ir longe: “Mostrou empenho nos treinos, capacidade de trabalho e espírito de sacrifício, provavelmente são estas as melhores características dela no treino. Em competição, garra e vontade de competir seja com quem for”. Franzina e de estatura média, a jovem de Murtede não apresenta o físico típico das nadadoras que vemos habitualmente em competição sobretudo no estrangeiro. No entanto, tem algo que, segundo o seu treinador, caracteriza um pouco os desportistas portugueses: “Não é muito forte fisicamente mas tem aquilo que, de certa forma, caracteriza o povo português, inclusivamente noutras modalidades, como o atletismo. Somos fortes nas provas de resistência e esse é o ponto forte da Florbela”.
Quanto mais longa a distância, mais Florbela se sente “como peixe na água”, com as provas a ultrapassarem uma hora de duração: “Nos Campeonatos Nacionais de Juniores e Seniores ficou em primeiro nos 1500, quarto nos 800, sexto aos 400 e em nono aos 200”. A vitória nos 1500 metros foi categórica, tendo alcançado uma marca que era, no dia em que conversámos, a décima melhor do Ranking Europeu de Juniores, a escassos 12 segundos dos mínimos para o Campeonato Europeu da modalidade. A preparação para esta prova teve início há apenas alguns meses, em Setembro, e o resultado deixa, naturalmente, a equipa muito satisfeita: “Esperávamos que a Florbela conseguisse melhorar a sua marca mas nunca conseguimos controlar os nossos adversários. Apenas conseguimos controlar o nosso trabalho e a nossa evolução”.
Sempre mais, sempre melhor
O título de Campeã Nacional Júnior e a quarta marca absoluta, superada apenas por três nadadoras seniores foi um resultado extremamente positivo mas dificilmente surpreendente, já que na SCC/Oryzon Energias trabalha-se diariamente com o objectivo de que cada um dê sempre o melhor de si. A Florbela correspondeu e, não satisfeita com este saboroso triunfo, repetiu o feito uma semana depois, no passado dia 9 de Abril, tendo conquistado o título de Campeã Nacional dos 5 km, cinco mil metros a nadar numa prova que durou mais de uma hora. A marca é extraordinária, sendo a terceira melhor de sempre realizada em Portugal.
“Em juniores o trabalho e o talento promovem o resultado”, sintetiza o técnico. Ainda assim, sem apoios e patrocínios, o talento dificilmente se mostra e os resultados mais dificilmente aparecem: “Não se consegue sobreviver sem apoios e em Portugal essa componente ainda não está muito desenvolvida, se calhar é por isso que ainda não conseguimos ter melhores resultados a nível europeu e mundial”. Quanto ao futuro, só a dedicação e o empenho de Florbela poderão ditar se serão ainda melhores os resultados. “Depende do que ela quiser ainda trabalhar e da sua motivação para continuar a evoluir. Nunca se devem colocar limites, importante é dar-se sempre tudo o que se tem”. Aproveitamos a deixa para perguntar à jovem desportista se está preparada para continuar a trabalhar sem limites. O “sim” é tímido mas a o olhar determinado não nos deixa duvidar nem por um segundo. “Não quero parar por aqui, quero ir mais longe”. | FC



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