A mais recente edição do RoboParty decorreu entre 10 e 12 de Março, no pólo de Guimarães da Universidade do Minho. Três alunos do 10.º ano da Escola Secundária de Mira participaram no evento de robótica e na bagagem trouxeram um prestigiante segundo lugar.

Foi uma maratona de três dias cujo esforço foi devidamente recompensado. Esta é já a quarta vez que a Escola Secundária de Mira participa no RoboParty, um evento pedagógico à volta da robótica que, durante três dias, reuniu equipas de todo o País em Guimarães. José Alves, Rodolfo Eva e Miguel Coimbra são as novas estrelas da escola. A eles se deve o segundo lugar conquistado numa das provas da 5.ª edição da iniciativa que, à semelhança de anos anteriores, recebeu centenas de jovens. O RoboParty “permite a inscrição de alunos dos 12 anos até aos que frequentam o ensino superior”, explica David Oliveira, professor de informática e um dos responsáveis pelo projecto de robótica da Escola Secundária de Mira. Um motivo de orgulho, pois todos os concorrentes de Mira têm apenas 15 anos.

Tudo começa por ser uma incógnita. “Quando chegam ao local nunca sabem o que se lhes vai pedir”, comenta o docente. Após uma curta formação onde são ensinados os primeiros passos em electrónica, programação de robôs e construção mecânica os participantes recebem um “kit robótico”. A caixa que contém toda a parafernália é comprada antecipadamente, mas só no início do evento é que as peças são distribuídas pelas equipas. Daqui para a frente vingam o talento e a criatividade. “Os professores só prestam apoio logístico”, cabendo aos alunos fazer o melhor que sabem.

Normalmente, cada um dos três dias é dedicado a uma actividade específica, sendo que no primeiro os alunos montam todos os componentes do robô, no segundo programam e no terceiro entram em competição. “O espírito da iniciativa é a participação e a troca de conhecimento”, refere David Oliveira. “No entanto, se pudermos ganhar, melhor”. Outra particularidade do evento tem a ver com a distribuição dos participantes. “Sentam-se perto uns dos outros e isso permite a troca de conhecimentos”. O RoboParty é constituído por três provas, cada uma com objectivos diferentes, e que apesar de todos os anos terem a mesma designação “nunca são iguais”. “Perseguição”, “Obstáculos” e “Dança”, a escolha recai sobre cada uma das equipas. “Nós participámos em todas”. Foi, no entanto, na prova de “Dança” que Mira se destacou, alcançando um invejável segundo lugar. Para o efeito construíram um robô, baptizado como “Monstrinho”, que dança ao som da música. Caso a melodia deixe de tocar, o pequeno dançarino robótico imediatamente cessa o movimento.

José Alves, um dos alunos que integrou a comitiva de Mira, é praticamente um veterano nestas andanças. “Já é a terceira vez que participo”. Foi responsável pela pintura da parte exterior do robô e dos braços, mas o seu contributo não se ficou por aqui. “Ajudei na parte da soldadura e da programação”. O jovem cientista que quer seguir engenharia informática realça que o mais importante no RoboParty é a aprendizagem e o convívio. No que toca ao resultado, além da natural alegria, admite que ficaram surpreendidos.

O gosto pela ciência na Escola Secundária de Mira é que já não causa surpresa. “O projecto de robótica está em funcionamento há quatro anos, partindo do grupo de informática”, revela o professor Carlos Alves, outro dos responsáveis. O objectivo passa por “estimular o gosto pela ciência, programação e robôs”. O também Presidente da Junta de Freguesia de Febres acrescenta que a área de robótica sempre fez parte das jornadas de informática promovidas pela escola. “Já aqui trouxemos professores das Universidades de Aveiro e do Minho graças a este projecto”, refere, com orgulho. Os alunos mais novos também já estão a ser treinados na área. “Começam com peças de Lego ligadas a um processador”. Parece simples, mas não é. “O processador tem sensores de luz, de movimento, de toque e ultra-sons”. É caso para dizer que ali ninguém brinca em serviço. | LM