O contrato de compra e venda das instalações da ex-Cobai, celebrado entre a autarquia e a Sociedade Águas Claras – Construção S.A., foi anulado. Fica sem efeito o projecto que previa a instalação de uma mega infra-estrutura, com vários serviços, nas antigas instalações da antiga fábrica de sumos.


A conversão do edifício da unidade desactivada (localizada na cidade de Cantanhede, junto à Adega Cooperativa) numa espécie de “quartel-general” do Conselho Empresarial do Centro (CEC) /Câmara de Comércio e Indústria (CCIC) foi anunciada em Março de 2009. Previa-se, então, que a velhinha fábrica de sumos viesse a acolher a instalação de vários serviços e entidades, entre elas, um Centro de Formação e Inovação Empresarial e a Escola Técnico-Profissional de Cantanhede.

Quase dois anos depois, volta agora tudo à estaca zero, já que o contrato de venda das instalações da Cobai foi anulado, em Dezembro último, em virtude de o protocolo celebrado entre o CEC e a autarquia não ter sido cumprido. Uma decisão dada a conhecer aos deputados municipais na Assembleia, tendo João Moura garantido que “se mantêm os pressupostos que, na altura, estiveram na origem do projecto traçado”.

O edil considerou mesmo a questão (a resolução do contrato-promessa de compra e venda) “uma mera formalidade”, já que “o executivo continua empenhado em encontrar uma solução para aquilo que é o projecto da Cobai”. As entidades que precisam de novas instalações têm estado a ser ouvidas, enquanto a autarquia vai, segundo o Presidente, envidar esforços para fazer o que o promotor do projecto não conseguiu.

 

Promotor “falhou”

João Moura esclareceu que “o processo não foi para a frente porque o CEC quis, na altura, ser o dono da obra”, algo que, pelos vistos, não conseguiu cumprir. As razões do incumprimento, ou seja, porque não pode o dono da obra satisfazer o que estava protocolado com os parceiros, não foram reveladas “preto no branco”, mas, nos tempos que correm, a falta de meios financeiros bem pode ser uma justificação.

“Preto no branco” surgiu, no entanto, a imediata reacção da oposição, com a Comissão Política Concelhia (CPC) do PS de Cantanhede e os deputados municipais do partido a condenarem a decisão, considerando-a “demasiado grave para o concelho e demonstrativa da falta de estratégia do executivo”.

Dulce Santos, da bancada socialista, atirou para a discussão a eventualidade de a autarquia ter de assumir encargos pela resolução unilateral do contrato, e quis saber o que “fez o executivo para exigir responsabilidades aos que se propunham ser superficiários e que motivaram a outorga do contrato” agora anulado. Críticas a que o executivo PSD preferiu não responder, recusando-se a comentar questões jurídicas. | APC