Messias José Branco Oliveira, 25 anos, natural de Cantanhede, foi um dos seis desportistas que integraram a comitiva da Selecção Nacional que se deslocou na passada semana ao 27.º Campeonato do Mundo Sénior de Pesca Desportiva – Mar. Esta foi a primeira experiência internacional do jovem da Gândara, que já está de olhos postos no Campeonato do Mundo do próximo ano, em Itália.

Não sabe explicar de onde lhe vem o gosto pela pesca. Começou cedo, sozinho, pescando onde podia, nomeadamente “no ribeiro ao pé de casa”. Sem familiares próximos que se tenham dedicado a esta modalidade desportiva, a mãe aventa a possibilidade de Messias Oliveira se ter apaixonado pelas coisas da água e dos peixes “quando recebeu uma caninha de pesca de presente do padrinho, tinha uns seis ou sete anos”. “Ou até menos”, recorda o jovem de Cantanhede.

“Desde que me lembro, sempre gostei da pesca e de pescar. Mais a sério foi há cinco anos, quando comecei a competir no Regional de Juniores, em que fui campeão. Depois segui o ciclo normal: passei a sénior, fiz o Regional de Seniores, subi à 3.ª Divisão Nacional, depois à 2.ª e no ano que passou cheguei à 1.ª”, sintetiza.

O 5.º lugar conquistado na 1.ª Divisão Nacional garantiu-lhe o apuramento para o Campeonato do Mundo deste ano, prova que se realizou de 7 a 14 de Novembro em Langebaan, África do Sul. Os resultados não foram os melhores para a Selecção das Quinas, com Portugal a conquistar o 12.º posto entre 16 países participantes. Ainda assim, Messias conseguiu ser o segundo melhor dos seis portugueses naquele que foi o seu ano de estreia em provas internacionais.

“Houve selecções que foram para o local da prova semanas antes, caso da equipa que foi campeã do mundo. Nós chegámos com três dias de antecedência e apenas pudemos treinar no primeiro dia, depois disso a organização proibiu a pesca no lugar da prova. Ainda para mais era peixe que não conhecíamos”. Adversidades que o jovem espera não se virem a repetir para o próximo ano, em Itália, Mundial para que já se encontra apurado e onde espera vir a melhorar a sua classificação [39.º em 80 atletas].

Tubarão e peixe-guitarra

Messias Oliveira pratica um tipo de pesca denominado surf casting, que numa tradução livre significa lançar a linha na rebentação. É feita a partir da areia da praia, em água salgada, e segue as regras de outros formatos, em que o vencedor é decidido de acordo com o peso e as dimensões dos animais capturados. Não foi este o estilo em que o jovem se estreou, já que começou por pescar em lagoas, quer na dos Coadiçais, em Febres, quer nas de Mira, tendo depois dado o salto para a pesca de mar.

“Várias canas de pesca e carretos, um tripé para apoiar a cana e diverso material suplente” são os meios técnicos fundamentais para quem pretende competir ao mais alto nível. O isco varia com o peixe que se pretende capturar mas “a minhoca e a sardinha” continuam a ser dos mais utilizados. Não é um desporto muito caro, já que de início não requer um grande investimento, mas para “voos mais altos” é preciso uma boa cana de pesca, material que ascende facilmente aos 400 euros.

A oportunidade de representar Portugal foi o ponto alto da sua carreira, já que assume ser “um sonho para qualquer pessoa que pratique desporto, seja ele qual for, é um motivo de orgulho”. Na África do Sul encontrou “um ambiente muito bom, de convívio entre as Selecções” e confessa que o tempo passou a correr.

O resultado da “pescaria” foi um pouco diferente do habitual nos mares de Mira, da Figueira ou da Tocha, a que Messias está habituado, com “os tubarões e o peixe-guitarra, cujo peso vai dos quinhentos gramas aos quatro quilos, a serem os mais comuns”. Os defensores dos animais que fiquem descansados, não foram mortos peixes durante esta prova: “Os peixes capturados são medidos e libertados de imediato”. O seu peso é, depois, determinado de acordo com tabelas próprias.

Uma raia com mais de nove quilos e meio foi o troféu de Messias Oliveira, desportista que desde que começou a competir oficialmente faz parte do Clube de Pesca de Cantanhede | FC


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