Espaços exíguos e sem condições, infiltrações e humidade, temperaturas altas no Verão e demasiado baixas no Inverno. São alguns dos problemas da Unidade de Saúde Familiar (USF) “As Gândras”, localizada em Febres, e que presta assistência a perto de 7.800 utentes.

Poder-se-ia dizer que a criação das Unidades de Saúde Familiar (USF’s), em 2007, foi a “menina dos olhos” da reforma introduzida pelo então Ministro da tutela, Correia de Campos, no que à rede de cuidados primários diz respeito. Volvidos mais de três anos, o paradigma das USF’s continua por ser alcançado em Febres, na USF “As Gândras”. Inaugurada oficialmente em Setembro de 2008, numa altura em que já funcionava há seis meses, continua, dois anos depois, num edifício sem condições.

Recorde-se que esta é uma das três unidades previstas para Cantanhede, no âmbito do protocolo celebrado, há três anos, entre a tutela e o município, que previa diversos melhoramentos em “troca” do encerramento do Serviço de Urgências do Hospital de Cantanhede. Segundo o protocolo, a que o Aurinegra teve acesso, a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) procederia, “durante o ano de 2008, à requalificação das extensões de saúde” do concelho. Na de Febres, isso ainda não aconteceu e, com 2010 quase a acabar, agudizam-se as queixas e as preocupações.

“Estou preocupado e até indignado”, afirma o Presidente da Junta de Febres. “A unidade foi criada para servir devidamente os utentes, mas as instalações estão aquém do desejável”, reprova Carlos Alves. Note-se que a USF serve as zonas de Febres, Corticeiro de Cima, S. Caetano e Vilamar, o que se traduz num atendimento a cerca de 7.800 doentes. A funcionar na antiga Casa do Povo, um edifício exíguo e já com um quarto de século, os profissionais de saúde acabam por ter algumas dificuldades.

“As queixas existem praticamente desde o início”, confirma Carlos Ordens, Director do Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) Baixo Mondego III. “Só o profissionalismo de quem lá trabalha tem minimizado a falta de condições”, defende. Na unidade estão quatro médicos, quatro enfermeiros e outros tantos administrativos, que vivem e exercem na expectativa de “boas notícias”. “Trabalhamos num ‘T0 menos um’”, metaforiza Carlos Chieira, médico coordenador da unidade.

Câmara já lançou concurso

“A extensão de saúde de Covões e a reabilitação e ampliação da de Cadima já decorreram. Para quando a de Febres?”, interroga Carlos Alves. Note-se que, no decorrer do processo, a Câmara viria a chamar a si a responsabilidade do projecto, assumindo-se como dona da obra e, há um ano, o edifício (localizado nas imediações do centro da vila) foi “oficialmente” doado pela Casa do Povo à autarquia, no sentido de o tornar “coisa pública” e de abrir caminho para a realização de um contrato-programa de requalificação.

Em termos práticos, passou a ser responsável pela disponibilização do terreno (para a ampliação) bem como por lançar os concursos para a empreitada de construção e para aquisição de equipamentos, algo que a autarquia fará recorrendo aos apoios do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional), no caso, através de candidatura ao Programa Operacional da Região Centro (PROC) 2007-2013.

Contactada pelo nosso jornal, a Administração Regional esclareceu que o “montante do investimento total (obra e equipamentos) ronda os 700 mil euros, sendo comparticipado pela ARSC em cerca de 100 mil euros (via PIDDAC)”. Confrontada com a falta de condições da USF, admitiu ser uma situação preocupante, defendendo, no entanto que “o processo tem vindo a decorrer normalmente, sem qualquer contratempo”.

Aparentemente, a ausência de obras deve-se ao tempo inerente aos procedimentos, formais e normais, em processos desta natureza, a avaliar pelas palavras de João Moura. “Estamos a dar corpo ao que está estabelecido”, garantiu-nos o Presidente da autarquia, dando conta que já foi lançado, em reunião de Câmara, o concurso público (urgente) para a empreitada de requalificação.

Preocupado com o que sabe serem condições precárias da unidade, João Moura garante que o processo está a desenrolar-se normalmente e que a requalificação vai mesmo acontecer. Mais dúvidas há sobre os prazos, sendo que não se trata de trâmites céleres. “O concurso está a decorrer, depois, faltam as fases seguintes”, sublinhou o autarca. Se faltam meses ou muitos meses até ao arranque da obras, é o que resta saber, numa altura em que o País vive estrangulado pelos constrangimentos orçamentais. | APC