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Ano novo, problemas antigos

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Avizinha-se mais um ano lectivo e na EB 2,3 de Cantanhede as aulas vão começar sem a participação dos pais nas decisões pedagógicas. Em Maio passado a opção de não se fazerem representar nos órgãos de gestão da escola surgiu como forma de luta conta a degradação do estabelecimento de ensino. Quatro meses depois, continuam a aguardar uma resposta do Ministério da Educação.

A não abertura da Escola Básica (EB) 2,3 de Cantanhede, em Setembro próximo, chegou a ser uma hipótese em cima da mesa, mas, e a cerca de duas semanas do arranque das aulas, a Associação de Pais e Encarregados de Educação (APEE) confirmou ao AuriNegra que não vai interferir na normalidade do início das aulas, a bem das crianças, dos pais e da comunidade escolar.

Será, contudo, uma norma-li-dade ilusória, tendo em conta que se mantém a posição, tomada em Maio último, de não colaborar nos órgãos de gestão da escola, onde os pais e encarregados de educação são chamados pelo Ministério da Educação, nomeadamente no Conselho Geral, Conselho Pedagógico e PES (Projecto de Educação para a Saúde) do Agrupamento de Escolas de Cantanhede (AEC).

“Temos colaborado nas actividades e ajudado nas festas, mas na parte que gere a escola não temos nenhuma participação”, explica Alda Leça, Presidente da APEE. Arredados, por opção e como forma de protesto, da gestão pedagógica do estabelecimento de ensino, “os pais deixam de estar envolvidos nas decisões a que são chamados pela própria tutela, contrariando, até, a própria política educativa deste Governo”, complementa Rogério Marques, Presidente da Assembleia-Geral da APEE.

Protestos antigos

A demissão da representação institucional nos órgãos onde tinham – e têm de ter – assento, é apenas mais uma forma de luta, numa longa lista de reivindicações, reuniões e diligências levadas a cabo nos últimos anos. Com mais de 800 alunos, a escola tem cerca de três décadas e a sua deterioração é evidente, tendo-se acentuado nos últimos dez anos. Os problemas são de tal ordem que, na opinião dos pais, só a construção de um novo edifício pode resolver a questão.

Salas onde chove, paredes com infiltrações, instalações eléctricas deficientes, placas de amianto na cobertura e pavimento degradado são algumas das consequências da falta de intervenções de fundo ao longo de uma década, para já não falar nas baixas temperaturas, no Inverno (com salas a rondarem os cinco graus), ou do calor insuportável, no Verão. Com a falta de condições a agudizar-se, intensificaram-se os protestos nos últimos anos, em particular no passado ano lectivo.

Houve manifestações e a escola chegou a ser encerrada pelos pais, num apelo à construção de um novo estabelecimento. A opção de deixarem de estar representados nos órgãos de gestão surgiu, depois, em véspera de férias, como uma forma de pressionar a tutela, mas, mais uma vez, não surtiu efeitos. “Não funcionou como esperávamos”, lamenta Alda Leça, dando conta que aguardam há já quatro meses uma resposta do Secretário de Estado da Educação, a quem enviaram um pedido de audiência, com carácter urgente.

Férias com “remendos”

Segundo Alda Leça, a Direcção Regional de Educação do Centro (DREC), entidade com que reuniram ainda em Abril, está sensível à questão e admite o problema. “Forçámos a tutela a uma resposta, e a DREC assumiu-se preocupada mas deixou claro que não tem responsabilidade na intervenção, remetendo para instâncias superiores a decisão de uma escola nova”, explica. Daí a AEPP ter insistido em diversos contactos, nomeadamente junto dos deputados da Assembleia da República, Governador Civil e Secretário de Estado. Até agora, em vão.

Entretanto, na pausa de Verão, a escola mereceu diversos arranjos. Segundo a Presidente da Associação, trata-se de pequenas obras no bar, no pavilhão polivalente e ao nível de arranjos exteriores, nomeadamente no jardim. “Está muito giro, e os alunos vão gostar, mas não são intervenções que garantam a resolução dos problemas de fundo. É tudo bem-vindo e nós agradecemos muito, mas estas medidas não resolvem”, alerta a responsável.

Uma espécie de “acção de cosmética”, classifica, que pode apenas disfarçar o problema. Em Setembro recomeça um novo ciclo, e a luta promete continuar. “No início do ano tem de haver pais representados no Conselho Geral, nem que sejam nomeados por eles”, frisa Alda Leça, acrescentando que “no final do próximo mês terá lugar uma reunião da Assembleia-Geral e então veremos o que vamos fazer, mas estamos determinados em manter a luta”.


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