José Joaquim Diogo nasceu a 10 de Novembro de 1945, em Santa Comba da Vilariça, “concelho de Vila Flor, distrito de Bragança, portanto transmontano de gema”. Pelo menos até aos 18 anos, idade com que partiu para cumprir o serviço militar como voluntário, seguindo depois o seu percurso em São Tomé e Príncipe, território ultramarino do antigo regime. Hoje, divide o seu tempo entre Coimbra e a Pocariça.
Na era da Globalização, José Diogo veste a multiculturalidade como um par de luvas. Trás-os-Montes, o Portugal profundo, viu-o nascer para o mundo. Seguiu–se África, em particular o bonito arquipélago de São Tomé e Príncipe, dali regressando a Portugal, à zona onde a Bairrada e a Gândara se confundem. Um coração dividido é uma das heranças de uma vida, feita de partidas e chegadas.
A primeira vez que pisou terra africana, em 1963, não sabia que estava a dar os primeiros passos no país que, anos mais tarde, tanto lhe custaria deixar para trás. O deslumbramento por ver, ao vivo e a cores, as exóticas paisagens da ilha de São Tomé, esse jamais esmoreceu. Contudo, José Diogo nunca esqueceu as suas origens: “Sou um homem com um coração e uma alma divididos por vários lugares. Sou transmontano, não renego as minhas origens, as minhas raízes, já que foi lá que vivi até aos 18 anos. Agora há a Bairrada, a Pocariça. Depois, adoro São Tomé e Príncipe, a única família que tenho é são-tomense, a minha mulher e as minhas duas filhas. Foram 14 anos e meio que lá vivi, sempre respeitando e sendo respeitado”.
Talvez por isso, pelo respeito e cordialidade com que sempre tratou o povo que encontrou naquela pequena ilha, foi convidado para ser Cônsul Honorário de São Tomé e Príncipe na Região Centro de Portugal, função que, apesar de desgastante e trabalhosa, desempenha “com o maior orgulho e dedicação”.
Infância de menino pobre
Eram tempos difíceis, de fome e de pobreza, os que se viviam em Portugal quando José Diogo era apenas uma criança. Numa pequena aldeia do interior, perdida no meio dos montes e montanhas do Norte, mais ainda: “Era filho único, criado sem pai. Filho de mãe pobre, de famílias pobres. Consegui estudar no Seminário, que foi onde, a muito custo e com muitas dificuldades, dei os primeiros passos para fugir àquela situação. A vida em Trás-os-Montes, por essa altura, era muito difícil. Daí que tantos tenham emigrado. Também eu tinha outros horizontes, e desde novo entendi que haveria de voar, sair dali”.
E saiu, após o serviço militar cumprido, ocasião em que foi mobilizado para as então colónias ultramarinas do Estado Novo. O que encontrou, até hoje não esquece: “Era uma sociedade muito mais evoluída do que Portugal, a então chamada metrópole. Quando comparávamos a maneira de viver, de estar, de ser, ou até o modo de falar, ainda por cima vindo eu de um lugar pobre em tudo, a diferença era notória”.
Apesar disso, as saudades de casa, da mãe e dos amigos, teimavam em ensombrar o seu espírito. “São Tomé e Príncipe é um autêntico jardim botânico, é um país de uma beleza natural extraordinária e inexplicável, e as pessoas são boas e educadas. Mas o passarinho, quando aprende a voar, tem sempre saudades do ninho”.
Da beleza do automóvel
Confessa-se apaixonado pe-la ilha, mais ainda depois de ter sido lá que constituiu família e que começou a trabalhar no ramo automóvel, outra das paixões de sempre de José Diogo. No entanto, após a Revolução que pôs termo a mais de 40 anos de ditadura em Portugal, as condições de vida na ex-colónia começaram a degradar-se, e o regresso à Europa era inevitável. Segue-se a Pocariça, a terceira peça do puzzle dos afectos do transmontano com um pé em África e o outro na Bairrada.
“Conheci esta zona por ser a terra de origem do meu sogro, visitei-a quando ainda vivia em São Tomé. Gostei da região. É um pouco diferente de Trás-os-Montes, sobretudo as pessoas e o chão que se pisa. É uma região de grande beleza natural, a de Cantanhede, e voltei a África encantado. Por isso, quando regressei a Portugal, depois do 25 de Abril de 1974, aí me decidi fixar”.
Sabemos os pontos do Globo que competem pelo coração de José Diogo, mas as paixões não ficam por aqui. Os automóveis arrebatam as suas preferências desde os tempos em que ainda brincava, sozinho, no lugar de Santa Comba da Vilariça, Bragança: “A mulher é o ser mais belo que há, com todo o respeito. Mas depois vem o automóvel. Desde pequeno, na minha aldeia, chamavam-me ‘Zé Mecânico’. Isto porque eu fazia os meus próprios carros, com casca de abóbora, latas de sardinha, rodas de charruas, aquilo a que conseguisse deitar a mão. Já nessa altura eu recriava o automóvel e, ainda hoje, guardo um pequeno carro de lata que as minhas tias me ofereceram, o meu primeiro carro a sério. Hoje tenho uma colecção de perto de três mil exemplares, onde não faltam as minhas criações primitivas”.
Em São Tomé, concluídas que estavam as obrigações para com a Pátria, iniciou carreira como vendedor de automóveis, trabalho que desempenhava com gosto, nem que fosse 12 horas por dia, todos os dias. Entretanto surge a hipótese de comprar uma escola de condução, e é aí que José Diogo se lança por conta própria: “Tirei o curso de instrutor de condução e fiz o negócio. A escola tinha uma frota de seis veículos, o que para aquela época era muito bom, e trabalhava, sobretudo, com os militares. Trabalhava naquilo que gostava e trabalhava para mim. É claro que também sofria mais e trabalhava muito mais”.
Rainha Santa, a padroeira
Hoje, algumas décadas volvidas, as seis viaturas da Escola de Condução São Tomé perderam-se no tempo, e não fazem sombra às dezenas de veículos que compõem a frota das Escolas de Condução Rainha Santa. Nome que surgiu naturalmente, “por convicções católicas, por ser crente. Mais ainda, pela representatividade da Rainha Santa na cidade de Coimbra”.
Sem ‘papas na língua’ e ciente da qualidade da entidade que gere, a primeira no País a ser certificada segundo a norma 9001 de 2000, afirma que o Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres, o regulador das escolas de condução, “está atrasado dez anos” em relação a si, que há muito trabalha em certificações e acreditações. Hoje, além da escola sede, na Baixa de Coimbra, detém uma em Condeixa e outra em São Martinho do Bispo. Crescer ainda mais é uma hipótese, apesar de não tirar o sono a José Diogo. Até porque se assume “ambicioso, mas ganancioso não”.
Conquistado que está o sucesso profissional, José Diogo é um homem feliz, que se dedica “à família, às escolas de condução e a São Tomé”. Para já com os dias ocupados, dividindo-se entre Coimbra e a Pocariça, ao fim-de-semana, vai dizendo que “não há domingo sem missa, nem sábado sem ir à Pocariça”. No horizonte, antevê a passagem de testemunho às suas filhas, e então, talvez passe a dizer não haver domingo sem missa, nem dia sem a Pocariça.



1 comentário
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Junho 22, 2012 às 15:30
guilhermino gouveia diogo
sr. diogo e guilhermino o que fez as salas de codigo para o sr e e para desejar muitas felicidades para o negocio e para ver que nao me esqueci do sr estou na luta e com todo o material que queira pois tenho de tudo desde o projector para as salas virtuais ate aos computadores vou as wscolas para decorar os carros tenho quites dos pedais para exame qos que tem pilha para por e tirar e ja tenho mandado para moçambique e angola salas de codigo e ja estive na beira se quiser alguma coisa ou ate para falarmos este e o meu telemovel 965106212 214762654
e o meu mail e rita.reclamos@clix.pt
desde ja obrigado por este bocadinho e muitas felicidades paara o negócio deste seu amigo de longa data que nao se esqueçe
pois ja tenho telefonado para a escola mas dizem que nao esta