Na noite fria de sábado, 19 de Junho, nada como uma tigela de sopa bem quente para aquecer o corpo e aconchegar o estômago. Fosse de peixe ou de marisco, de feijão, galega ou de pais e filhos. Daí não ser de admirar a adesão recorde ao evento: quase cinco centenas de comensais fizeram o gosto à colher. O difícil foi mesmo escolher.

Foi a edição mais concorrida do concurso de sopas e mostra de lavores de Febres, quer em número de participantes, quer em público. Vítor Rua, Chefe do Agrupamento de Escuteiros de Febres, associação responsável pelo evento, admitiu que este é um certame que tem vindo a crescer, de ano para ano: “Começámos em 2007 com dez sopas, numa iniciativa que surgiu por brincadeira mas que muitos pediram que fosse repetida. No segundo ano, em 2008, foram 21 sopas, o ano passado 24 e, este ano, alcançámos as 32. Esperamos nas próximas edições atingir a meia centena de sopas, é o nosso objectivo”.

As expectativas da organi-zação, que em ano de crise temia um decréscimo na receptividade das famílias, foram largamente superadas. O Largo Florindo José Frota, o centro de Febres, ganhou muita vida e animação, tendo chegado a haver fila de espera de vários metros para aceder ao recinto. Contratempos rapidamente esquecidos, logo que, de tigela na mão e colher em punho, se alcançavam as primeiras panelas de sopa.

Tradição culinária

Em terra de leitão e vinho, também não falta boa sopa à mesa, “prato de forte tradição na gastronomia portuguesa. Apostamos nas sopas caseiras, com alguma fama e reputação, sendo que vamos ter com as pessoas que as fazem e convidamo-las a participar. Este é um certame que já marca o fim de semana anterior ao São João, aqui em Febres. É um momento para conviver e passar momentos de descontracção”. Para os escuteiros é, também, pretexto para reunir fundos para um projecto que acarinham há alguns anos: a construção de um campo de formação escutista.

Já João Moura, Presidente da Câmara de Cantanhede, não tem dúvidas em reconhecer a importância das associações e a sua grande dinâmica no concelho. “O que estamos aqui a ver hoje, com esta iniciativa dos escuteiros, é uma forma de angariação de fundos, que precisam, e é um momento de encontro das pessoas no centro de Febres. Temos que continuar a acarinhar estas iniciativas, pois são reveladoras da dinâmica que existe no concelho”.

O Presidente da Junta de Freguesia, Carlos Alves, louvou a organização pela ideia e, sobretudo, pelo facto de conseguirem que “outras associações e outras entidades tenham aderido desta forma. Sinto que há, também, uma componente educativa, pois numa época de ‘comida de plástico’ é importante estimular e ensinar as crianças para a importância da sopa e dos legumes para a saúde”.

As sopas foram rainhas, mas os lavores também marcaram presença. Uma exposição de bordados na sede da Junta de Freguesia, artesanato e pintura no recinto da feira, ajudaram a compor a iniciativa. “A Junta associou-se aos escuteiros, trazendo ao largo de Febres uma praça dos pintores. São obras de autores que participam nos cursos de pintura, Arraiolos e bordados, que estão a decorrer na sede. Assim demonstramos o lado criativo dos febreenses, tentando recriar um pouco do ambiente que se vive em praças famosas de todos o mundo”.

“Pais e Filhos” agradou a miúdos e graúdos

A concorrência era muita: sopas do mar, de marisco perfumada com coentros, do Pingas, do abade e do rabo da companheira, dos amigos, da avó e de rabinos. Se nalgumas se adivinhavam os ingredientes, como no creme de ervilhas ou na sopa de grão à antiga, noutras não bastava provar, como na sopa azul, talvez uma das mais “exóticas” da feira.

Houve quem provasse duas ou três, alguns conseguiram chegar à dúzia. Depois de saciados os apetites, chegou o tempo de votar. Contas feitas, saiu vencedora a sopa da Gira Sol – Associação de Desenvolvimento de Febres, Sopa pais e filhos, com perto de duas centenas de votos. A segunda criação mais votada foi a Sopa de peixe escondido, da autoria do Centro Paroquial de Solidariedade Social de Febres, seguida pela Sopa gandaresa rica, levada a concurso pelo Rancho “Rosas de Maio”.

Nas três categorias de participantes, Associação, Restaurante e Particular, revelaram-se mais apetitosas as sopas gandaresa rica, creme de marisco perfumado com coentros (da padaria “Pão e Açúcar”) e a sopa cheirosa – cheira a…? (de Amélia Martins e Anabela Rua), respectivamente.