Uma caminhada de quatro quilómetros não foi brincadeira para as cerca de 250 crianças, dos estabelecimentos de ensino de Febres, que participaram na iniciativa “Brincadeiras da nossa Infância”. Uma jornada em pleno, em que ficaram a saber mais sobre as lagoas da freguesia. Por exemplo, que não são nenúfares que cobrem a água da Lagoa do Charco.

É isso mesmo. Não, não são nenúfares. Golfão branco é, afinal, o nome da espécie de plantas que abunda na superfície das águas da Lagoa do Charco (dos Coadiçais), à qual a maioria chama de nenúfar. O esclarecimento veio de Délio Lagoa, o professor de Biologia e Geologia que participou na iniciativa “Brincadeiras da nossa Infância”, realizada no início da semana passada.

Reformado há menos de um mês, o docente foi o convidado desta acção, promovida pelo Agrupamento de Escolas de Febres, com o apoio da Junta de Freguesia, numa intervenção essencial para que os mais pequenos assimilassem um conjunto de informação sobre os ecossistemas das lagoas da Freguesia.

A dedaleira, o salgueiro, o plátano e o bunho são exemplos de algumas espécies, que vivem junto da água, apresentadas in loco aos mais pequenos pelo antigo especialista, que não ficou indiferente às boas condições dos lagos febreenses. “Existem aqui espécies que deixaram de se desenvolver noutras zonas da Gândara”, constatou.

Para além da flora, também algumas espécies da fauna local foram explicadas aos alunos, numa iniciativa feita no âmbito do Programa “Eco-Escolas” e escolhida tendo em conta o património natural de Febres.

“O objectivo é alertar para a necessidade de proteger a biodiversidade e sensibilizar estas crianças para estes espaços, dos quais podem desfrutar mas que devem também cuidar”, esclareceu Pedro Chorosa, sub-director do Agrupamento Finisterra. “A caminhada foi dura, mas eles gostaram de passear entre as vinhas e as terras de cultivo. Neste mundo conturbado, é uma experiência única”.

Iniciativa pode

ser alargada

Quem faltou à caminhada foi o Vereador da Educação, por motivos de agenda política, mas Pedro Cardoso não deixou de marcar presença na acção, que terminou nas margens da Lagoa do Charco. “É assim que se faz educação e se consegue uma consciencialização para a importância da preservação da Natureza”, notou, indo mesmo mais longe: “Febres tem um património natural lindíssimo, é uma pena que alunos de outras escolas não tenham esta oportunidade. Esta iniciativa devia ser replicada pelos outros agrupamentos”.

Não seja esse o problema, não pelo menos na vontade de Carlos Alves, Presidente da Junta. “Febres tem condições para oferecer trilhos aos outros agrupamentos escolares, de forma a mostrar os ecossistemas das lagoas. Nós podemos fazer isso”, disponibilizou-se o autarca, pedindo apenas uma contrapartida: “Apelo à autarquia que nos apoie no sentido de nos ajudar a limpar as lagoas e, no futuro, quem sabe, virmos a criar um percurso pedonal que ligue todas as lagoas”.

Para já, o primeiro passo está dado, devendo a iniciativa ser repetida no início do próximo ano lectivo, nomeadamente com os alunos da EB 2,3 Carlos de Oliveira. Nesta primeira edição do “Brincadeiras da nossa Infância” participaram os alunos das escolas primárias de Febres, da Fontinha e das Balsas, e as crianças dos dois jardins-de-infância da Freguesia (os únicos que foram transportados de autocarro).

Depois da caminhada e do merecido almoço, a tarde foi de brincadeira, com jogos tradicionais de outros tempos. Jogo do lencinho, do anel e das chancas, corridas de sacos, jogos da macaca, cabra-cega e tracção à corda foram algumas das “Brincadeiras da nossa Infância” que acabaram com as energias que eventualmente sobraram da caminhada.