Luís Filipe da Cruz Ferreira nasceu há 32 anos em Cantanhede. Actualmente reside em Febres, com a mulher e os dois filhos, e possui um estabelecimento comercial no centro da vila. Apaixonado pelos desportos motorizados, conta realizar este ano o sonho de ser Campeão Nacional de Super Moto.

Não gosta de perder e quer ser sempre o melhor em tudo o que faz. Diz-se teimoso, impulsivo e persistente quando luta por algo e acredita que tem bom coração. Este ano, o Campeonato é para ganhar, até porque no final da temporada espera retirar-se.

Diz sempre ter gostado de motas e desportos motorizados em geral, apesar de se ter estreado tardiamente nestas lides: “Comecei a correr com 23 anos, consideravelmente tarde, e apesar de sempre ter gostado nunca pensei que um dia poderia vir a ser piloto. Foi algo que aconteceu”. Os amigos de Coimbra deram um empurrão e a sua mãe, os primeiros “patrocínios”: “Em finais de 2006, após ter feito o Campeonato todo com uma mota competitiva, passei a ter apoio da marca KTM. Atrás desses vieram outros apoios ligados ao sector das duas rodas. São estes patrocínios que me permitem competir”.

Quanto custa ser competitivo?

“Para a mota são vinte mil euros. O fato custa outros mil, trezentos cada capacete e par de botas. Protecções, óculos e luvas rondam a centena de euros cada”. E assim se gastam 22 mil euros, mais coisa, menos coisa. Mas não é tudo: “Um pneu de trás custa 260 euros e eu gasto uma média de 4 ou 5 por prova (treino e corrida). Há por aí muita gente que anda de mota, que se conseguisse chegar às corridas mostrava alguma coisa. Mas, infelizmente, os apoios não existem e o material é muito, muito caro”.

Se a questão do material é ultrapassável com a ajuda dos patrocinadores, o mesmo não se pode dizer do talento e aptidão para este tipo de desporto. “No início é sempre muito complicado. Lembro-me perfeitamente da primeira prova em que participei, foi em 2001, em Lousada. Eu julgava que andava bem de mota, mas dei por mim a pensar: ‘que é que eu estou aqui a fazer?’. Depois fui evoluindo, o material foi melhorando e cheguei onde estou hoje”.

No topo da hierarquia

Na competição a sério, com apoios, começou em 2007, apesar de participar em provas há quase dez anos. Foi uma paixão que surgiu tarde, é certo, mas nem por isso de forma menos arrebatadora. Hoje, compete no escalão máximo da modalidade a nível nacional, mas ambiciona muito mais: “Estou a fazer o Campeonato Nacional de Super Moto, ainda há bem pouco tempo conhecido por Super Motard, em que as provas são disputadas em circuitos fechados, de asfalto e de terra. Também já disputei no estrangeiro uma prova do Mundial, algo que tenciono voltar a fazer esta temporada, com o apoio da Federação Nacional de Motociclismo”.

No ano passado era apontado como o candidato mais forte à vitória final. No entanto, algo não correu bem: “Sofri um acidente enquanto praticava BTT, o que me impediu de participar numa prova e fez com que participasse lesionado noutras duas. Perdi aí uma série de pontos que me vedaram a luta pelo título. Fui terceiro classificado”.

Contudo, não desmoraliza: “O meu objectivo é ser campeão. Sei que estão lá outros pilotos com o mesmo intuito.Mas, se não tiver azares, com o equipamento que tenho ao meu dispor penso que não será fácil baterem-me. Tenho fortes possibilidades de ser campeão”.

Altos e baixos

Se há momentos em que tudo parece correr bem, outros há que testam a nossa resistência. Luís Ferreira já passou por aí: “O momento mais frustrante foi quando, na época passada, me lesionei. Estava empenhadíssimo no campeonato e foi um enorme balde de água fria”. Os momentos felizes, esses guarda-os mais perto do coração: “O melhor momento que vivi, foi na primeira vez que consegui bater o Cristiano Fernandes, considerado o melhor piloto português de Super Moto e profissional a cem por cento. Ele já não perdia corridas ou qualificações há mais de quatro anos, sendo que em 2008 eu fui o único piloto que o conseguiu bater e lutar com ele de igual para igual”. Uma proe-za de tal forma importante que lhe valeu honras de capa na revista “Motojornal”, a publicação por–tu-guesa de maior relevo no que às “duas rodas” diz respeito.

Se a estes feitos o piloto conseguir juntar, este ano, o título de campeão nacional, promete arrumar a mota: “Estou a ficar um pouco saturado das corridas. As motas ocupam muito tempo, já tive algumas lesões complicadas e sei que de vez em quando falho na parte familiar. Quero virar a página e gostava de experimentar outro tipo de desporto”. Motorizado, pois claro: “Se deixasse de correr em motas gostaria de participar em ralis. Já tive oportunidade de competir em duas provas do Campeonato Nacional e, apesar de não ter terminado devido a falhas mecânicas, gostei muito da experiência e fiz tempos bastante interessantes”.