Fernando Santos Cândido é um homem invulgar. Tanto pode ser encontrado a atravessar a Austrália de bicicleta, a fazer canoagem nas águas geladas do Árctico, a escalar as mais altas montanhas de África ou a descer às mais profundas cavernas da Europa. Mas também passa muitas horas enfiado em bibliotecas e arquivos a pesquisar as origens dos seus antepassados. Tal como em salas de aula, a exercer as suas funções de professor. Ou pacatamente em sua casa, no Canadá, com a mulher e as duas filhas, ou na sua terra natal, em Febres, a conviver com familiares e amigos.

Nasceu em Serredade, na freguesia de Febres, a 24 de Dezembro de 1960.

Quando tinha apenas 5 anos deixou Portugal, levado pelos pais que emigraram para o Canadá, mais concretamente para Montreal.

Essa seria a primeira das suas grandes viagens e o início de uma vida recheada de aventuras.

A mãe regressaria a Portugal em 1974, o pai em 1976, mas para Fernando este cantinho no extremo da Europa era demasiado pequeno para quem se habituara à vastidão e à diversidade do Canadá, onde estudara numa escola de língua francesa.

Ainda esteve dois anos em Portugal, mas regressou ao Canadá para continuar os estudos e fazer pela vida.

Após trabalhar num supermercado de Montreal cerca de 5 anos, foi para Edmonton, para aperfeiçoar o seu inglês. E em 1985 decidiu seguir para Alberta, em cuja Universidade ingressou, adquirindo preparação para a profissão que ainda hoje exerce: a de professor de francês.

Entretanto casou com uma emigrante, Tara Nadeau, de origem ucraniana e francesa (que actualmente é directora do Serviço de Urgências do Hospital de Edmonton, no Canadá). O casal tem duas filhas (com 11 e 14 anos), e os 4 elementos da família partilham o gosto pelas aventuras.

Mas Fernando é, naturalmente, o que tem experiências mais ricas, mais variadas e mais surpreendentes.

“Sou muito aventureiro!” – confessa, com um sorriso, na entrevista que concedeu ao AuriNegra em Febres, onde se deslocou recentemente. E dá exemplos:

“Já atravessei grande parte da Austrália de bicicleta, completamente só, tendo percorrido cerca de 3 mil quilómetros. A maior dificuldade foi o calor. Mas também já atravessei de bicicleta uma boa parte do Norte do Canadá, cerca de 1.400 quilómetros, até ao Oceano Árctico, e aí a maior dificuldade foi o frio”.

Revela-nos que, apesar de gostar de aventuras, prepara sempre muito bem as suas viagens, para minimizar os riscos e tirar o melhor partido do tempo que dedica a estas deslocações por locais remotos.

Ainda assim, e como sucede com todos os viajantes aventureiros, tem vivido espantosos episódios em quase todas as viagens, que relata com a simplicidade que o caracteriza.

SUBIR AO KILIMANJARO FOI O MAIS RECENTE DESAFIO

Em algumas dessas histórias vividas surgem protagonistas pouco desejáveis, como ursos agressivos, grandes cobras piton ou os gigantescos crocodilos australianos.

A mais recente aventura de Fernando Cândido foi a escalada do Kilimanjaro, a mais alta montanha de África, que com os seus 5.895 metros de altitude é também uma das mais elevadas de todo o Mundo.

O nome original deste pico situado na Tanzânia é Kilima Njaro, que significa “Montanha Brilhante” na língua Swali, falada pelas tribos daquela região.

E, de facto, a montanha brilha porque o sol se reflecte nas neves eternas que lhe cobrem os picos.

Por isso, ali o “inimigo” não é o calor (que normalmente se associa ao Continente africano), mas antes o ar rarefeito pela grande altitude (que dificulta a respiração e provoca doloroso cansaço), as temperaturas negativas e as neves que têm de enfrentar-se na escalada.

Desta vez Fernando foi acompanhado por Tara, sua Mulher, também ela apreciadora de viagens, pelo que a experiência foi ainda mais gratificante.

Conta-nos que após a travessia da floresta tropical, foi com entusiamo que viram surgir  no horizonte a “imponente, deslumbrante e desafiadora cordilheira” – como ele a descreve ao AuriNegra.

O mais complicado viria a seguir. Foram necessários seis longos dias para vencer esta difícil e arriscada prova de resistência. Apesar das várias etapas, do apoio dos guias experientes, há momentos em que apetece desistir. E a maioria desiste mesmo.

Não foi o caso do casal Cândido, que embora tendo sofrido alguns problemas físicos, aguentou firme e conquistou o seu objectivo – como atestam as fotografias que os guias ali lhes tiraram.

E depois a descida, bem mais fácil, pelo lado oposto da montanha, e que demora só um dia e meio, e durante a qual se vislumbram paisagens magníficas.

UM DESPORTISTA MULTIFACETADO

Para enfrentar estas longas viagens, as agruras dos terrenos e as extremas variações de clima, Fernando Cândido tem de estar em boa forma física.

O que para ele não é problema, já que é um desportista nato e multifacetado.

Além do ciclismo, pratica ginástica, natação (“de preferência no mar” – como faz questão de referir), “snowboard” e esqui na neve.

É ainda um amante da espeleologia e do montanhismo. Mas também de canoagem e de caminhadas em contacto directo com a Natureza, seja nas florestas ou nos desertos africanos, nas estepes europeias, nos glaciares americanos.

Já perdeu a conta aos países por onde andou, nos vários Continentes.

Umas vezes completamente só (como na “epopeia” da travessia australiana, em que andava centenas de quilómetros sem ver gente), outras com amigos (caso do Alasca), e ainda outras com a Mulher e as duas filhas – sendo estas últimas, revela, as que lhe dão mais prazer.

UM “INDIANA JONES” DE FEBRES PARA O MUNDO

Não será exagero dizer que Fernando Cândido é uma espécie de “Indiana Jones”.

De facto, para além de aventureiro destemido, de viajante que já correu quase todo o Mundo, o nosso entrevistado tem outro ponto em comum com a personagem celebrizada no cinema por Harrison Ford: o gosto por estudar o passado.

E se no caso das ficções de “Indiana Jones” era mais a arqueologia a assumir destaque, no que concerne a Fernando Cândido é a genealogia, também um ramo da História, mas que se dedica ao estudo das origens e da evolução das famílias.

Esse é um dos passatempos favoritos de Fernando (quando não está a viajar…), que o leva a passar longo tempo a pesquisar em bibliotecas, em arquivos, em igrejas, num trabalho que é quase de detective.

“Já ajudei várias pessoas, no Canadá e até nos Estados Unidos, mais concretamente na Califórnia, a descobrirem os seus antepassados portugueses”.

O outro passatempo de Fernando é o de partilhar os seus gostos e as suas experiências na internet. Quem quiser saber mais pormenores sobre as suas viagens, ou conhecer mais detalhes sobre a genealogia e os respectivos instrumentos, basta consultar o site  de Fernando Cândido (ver caixa).

Certamente que em breve lá haverá relatos das próximas aventuras!

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