A Gira Sol promoveu no passado sábado um convívio para iniciar a recolha de episódios interessantes que febreenses, com mais de 65 anos, guardam na sua memória. O objectivo é reunir testemunhos para editar uma obra intitulada “Estórias da Minha Terra”.

 

Dezenas de febreenses aceitaram o repto da Associação de Desenvolvimento de Febres e marcaram presença no almoço-convívio, promovido por aquela instituição, que se realizou no passado sábado, 20, no Restaurante “Solar da Chorosa”.

Iniciar a recolha de episódios interessantes para editar “Estórias da Minha Terra” foi o objectivo daquele evento, marcado pela boa disposição e, como não poderia deixar de ser, pelas recordações.

A obra é uma iniciativa da Gira Sol e de uma Comissão Promotora de que fazem parte Dúlio Pinhal, Fernando Santos, Fernando Silva e Manuel dos Santos, contadores de histórias natos.

Vítor Catarino, presidente da Associação de Desenvolvimento de Febres, caracterizou aquele encontro como uma “reunião muito especial”, dirigindo-se a todos os presentes.

“Venho reforçando a ideia de que a idade é sinónimo de sabedoria. Tenho a esperança de chegar a este clube dos maiores de 60 anos, composto por pessoas que muito prezo, que já dobraram o Cabo da Boa Esperança e o Cabo das Tormentas”, referiu o responsável pela instituição.

“Cada um de vós é uma enciclopédia viva”, continuou Vítor Catarino, defendendo que “mesmo os que não tiveram a oportunidade de fazer grandes estudos, frequentaram a ‘universidade da vida’, com aulas diárias, de sol a sol, sem direito a férias e com exames todos os dias. E assim foram adquirindo conhecimento e acumulando memórias de factos muito diversos”.

Para que essas memórias se não percam, mas antes fiquem registadas para o futuro, a Gira Sol decidiu avançar para a edição de uma ou mais obras de “Estórias da Minha Terra”.

O presidente da associação salientou que as recordações, que muitos febreenses guardam, “fazem parte da nossa história, da nossa vida e da nossa terra, que muito amamos”, sendo esta obra “uma herança para os nossos filhos, os nossos netos, para as gerações vindouras”.

Vítor Catarino considerou que esta deve ser uma iniciativa inédita a nível nacional, e provavelmente até internacional, sendo que depois deste primeiro encontro, mais se seguirão.

”Talvez no próximo possam estar presentes ourives e emigrantes que saíram de Febres e estão espalhados pelo país e pelo mundo fora”, defendeu.

Recordar velhos tempos

A boa disposição foi uma constante durante todo o almoço, que serviu também de reencontro para amigos que se não viam há muitos anos. A maior parte das histórias contadas tinham por palco a freguesia de Febres e transportaram os presentes para outros tempos, proporcionando algum saudosismo.

Dúlio Pinhal foi o primeiro a divulgar algumas das suas recordações, confirmando o seu jeito como contador de histórias. Já Fernando Silva relatou um dos muitos episódios sucedidos durante as décadas em que exerceu a profissão de carteiro, altura em que as peripécias eram constantes.

Por seu turno, o empresário Manuel dos Santos brindou o público com duas divertidas histórias da freguesia de Febres, uma sobre o senhor Pinhal e outra sobre uma viagem de táxi entre Fontinha e Cantanhede.

Fernando Santos reviveu al-guns episódios que protagonizou enquanto médico, quando a Gândara era uma terra de gente pobre, em que cada consulta, cada ida ao hospital ou a casa de um doente era uma aventura.

Após o almoço, todos os outros presentes tiverem oportunidade de dar os seus testemunhos, contribuindo para a edição da obra “Estórias da Minha Terra”.

Presentes nesta iniciativa estiveram ainda o adjunto do Governador Civil de Coimbra, António Sérgio, representando o Chefe do Distrito, José Alberto Alves, presidente da Junta de Freguesia de Febres, que elogiou esta iniciativa, e Vítor Damião, presidente da Adega Cooperativa de Cantanhede, para além dos corpos gerentes da Gira Sol.  \