Fomentar, apoiar e incentivar hábitos e actividades na área da cultura, são os objectivos da “Articultura”, um movimento de jovens de Mira que quer transformar-se em associação e preencher os espaços que ainda existem em termos artísticos.
A ideia surgiu há “muito tempo”, mas apenas em Agosto passado começou a tomar forma, quando um grupo de amigos decidiu criar um movimento, que hoje já conta com mais de uma dezena de elementos.
“Tudo nasce do descontentamento. Temos o que temos e queremos mais”, começa por explicar ao AuriNegra Raul Rocha, 26 anos, um dos associados da “Articultura”.
“Queremos focalizar a área da música, da pintura, da literatura, da cidadania. Há quem não goste de cultura, porque não tem acesso a ela”, continua Gustavo Fresco, de 22 anos.
Os dois jovens conheceram-se só depois de ingressar na “Articultura” e estão empenhados em tornar o movimento em associação, com o intuito de sensibilizar a população para a área artística.
Neste momento, é tudo uma questão de tempo e não há pressas.
“Tivemos o cuidado de contactar pessoas com conhecimentos jurídicos para criar a associação. Estamos numa fase de experimentação para fora, mas também para dentro. E tudo leva o seu tempo, porque às vezes temos de colocar o pé no travão. Não queremos criar a associação de um dia para o outro, até porque queremos algo que perdure”, salienta Raul Rocha convicto de que, depois de tratada toda a burocracia, a “Articultura” será a 68.a associação do concelho.
“Estamos a começar, temos alguma ambição, mas temos de ir com calma, para testarmos a nossa força”, complementa Gustavo Fresco.
Confrontados com o facto de poderem ser apenas mais uma associação, os dois elementos da “Articultura” asseguram que isso não vai acontecer, até porque sabem bem o que querem.
“Temos muitas pessoas sensíveis à expressão artística e ao enriquecimento cultural e queremos intervir naquilo que esteja relacionado com áreas como a pintura, a escultura, a música, a cidadania e a participação cívica. Há associações culturais mas estão focadas noutros pontos de cultura, como por exemplo os ranchos folclóricos. O que não quer dizer que não possamos também focar a etnografia, mas de uma outra forma, sem nos sobrepormos à actividade das outras associações”, explica Gustavo Fresco.
Já Raul Rocha lembra o vazio existente em termos artísticos, sentido por grande parte da população local.
“Sente, tal como nós, que é preciso fazer mais. Não quer dizer que o que está feito esteja mal feito, mas falta algo. A nossa motivação surge desse descontentamento e sentimento de vazio. Não estamos a competir sobre cultura, só queremos preencher os espaços vazios e não competir com o que já existe. Não é uma questão de ruptura, mas sim de complementaridade”.
Interesse da população motiva
Vir ao encontro da população é outro dos objectivos do ainda movimento, pois é a acção que vai fazer com que a “Articultura” seja divulgada.
“É um processo evolutivo e vai-se fazer através das nossas actividades”, afirmou Raul Rocha.
A primeira aparição da “Articultura”, que os jovens caracterizaram como “intervenção de impacto”, aconteceu no passado dia 13 de Dezembro.
“Ninguém estava à espera, só os elementos tinham conhecimento. A primeira actividade serviu para mostrarmos que há este movimento de jovens. Na altura foi lido um texto explicativo da razão da nossa existência, acompanhado por música”, relembra Gustavo Fresco.
Já a reacção da população, essa, foi “muito boa”.
“Miúdos e graúdos mostraram bastante interesse, porque sentem o mesmo que nós, o tal vazio. E essa atenção por parte das pessoas motiva a nossa acção”, refere Raul Rocha, frisando que o “objectivo é criar uma certa diferença daquilo que já se faz em Mira”.
Depois da constituição como associação, os elementos da “Articultura” já sonham com a sede.
“Não estamos ansiosos em relação a timings. As ideias surgem e há vontade de as colocar em prática. Claro que já temos algo idealizado para a sede. Queremos um local vivo. Propiciar aos artistas da região espaço para trabalharem. Para alguns jovens, que não se pode dizer que são artistas, mas que também precisam de um local para desenvolver o seu projecto. O processo de colocar tudo isto a funcionar não é fácil, mas até isso é motivador”, diz, determinado, Raul Rocha.



1 comentário
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Janeiro 8, 2010 às 18:32
Gustavo Fresco
Artigo muito bom! Obrigado pelo apoio e por toda a divulgação.
Para mais informações por favor consultem http://www.articultura.pt.vu
Cumprimentos