Idosos a viver sozinhos e em zonas rurais são as vítimas mais “apetecíveis” para burlões e assaltantes que utilizam todo o tipo de esquemas para usurpar bens alheios. Para evitar o aumento de casos e a diminuição de queixas às autoridades, uma equipa do Núcleo de Programas Especiais da GNR está a percorrer as freguesias do concelho de Cantanhede com sessões de esclarecimento à população.
O ditado, antigo, diz que só depois de casa roubada se colocam trancas na porta, um facto que a Equipa do Núcleo de Programas Especiais da Guarda Nacional Republicana (GNR) quer evitar ao promover, em todas as freguesias do concelho de Cantanhede, sessões de esclarecimento à população mais idosa.
Sábado, 12, foi o salão da Igreja Paroquial de S. Caetano a receber algumas dezenas de cidadãos interessados em perceber como podem defender-se de possíveis burlas e agressões.
“Sempre que for abordado por um estranho desconfie dos esquemas fáceis que lhe são oferecidos. Em caso de dúvida contacte as forças policiais e caso não se lembre do número da GNR ligue 112, que a chamada é imediatamente encaminhada para a zona da sua área de residência”.
O conselho é do cabo Maia, que com a ajuda do Cabo Geria tentaram desmistificar a ideia que as maioria das pessoas tem das forças de segurança.
Ao AuriNegra, os elementos do Núcleo de Programas Especiais da Guarda Nacional Republicana explicaram que, apesar do número de queixas de burla ou tentativa de burla ter aumentado, ainda não são as desejáveis. “As pessoas muitas vezes têm vergonha de que os vizinhos saibam que foram burladas e acabam por não apresentar queixa às forças policiais. Há também a ideia generalizada que é uma perda de tempo apresentar queixa, que a polícia não faz nada nos casos pequenos, o que não é verdade, porque quantos mais dados tivermos mais fácil conseguimos investigar como e onde os burlões actuam”, asseguram.
Por outro lado, os dois agentes garantem que as sessões de esclarecimento são sempre importantes já que “nem que alertem pelo menos uma pessoa já estamos a salvaguardar uma vida e os bens dessa pessoa. Se conseguirmos evitar uma burla cumprimos a nossa missão”, admitem.
Medidas preventivas
“A segurança começa em cada um de nós” é o lema das sessões de esclarecimento promovidas pelo Núcleo de Programas Especiais da Guarda Nacional Republicana. Dos muitos conselhos ouvidos pela população de S. Caetano destacam-se os que se prendem com a identificação do burlão ou agressor, em caso de assalto.
“Em caso de tentativa de burla esteja sempre atento à aparência do indivíduo ou indivíduos. Mais importante que salvaguardar bens ou resistir em caso de assalto é perceber as características físicas de quem vos aborda. Altura, idade, cor da pele, fisionomia e outras características do agressor são fundamentais para a sua posterior identificação. Por exemplo, se é careca, usa óculos, se tem bigode ou barba, a cor do cabelo, a forma como fala, o sotaque, tudo isso pode passar ao lado de uma pessoa que está a ser burlada ou assaltada mas é fundamental, para nós, na investigação, para travar este tipo de crime”, explicaram os dois agentes que por diversas vezes alertaram as pessoas para não resistir. “Manter a vossa integridade física é sempre mais importante, para reaver os bens estamos cá nós. Nunca sabemos a verdadeira intenção de um burlão em caso de resistência”, sublinharam.
Por outro lado, explicaram os cabos do destacamento de Cantanhede da GNR, a forma de agir e a história que um burlão conta é quase sempre a mesma e baseada em informações que vai obtendo. “Nas aldeias toda a gente se conhece. Quando aparece um estranho a fazer muitas perguntas é importante não divulgar dados sobre os vizinhos como o nome das pessoas, se tem filhos no estrangeiro, se vive sozinho. Todas essas informações podem servir para construir uma história e ‘vender’ à vítima, que facilmente cai no chamado conto do vigário”, avisaram.
Uma outra questão bastante abordada pelos participantes na sessão refere-se aos telefonemas para vendas de bens ou produtos. Aqui, os elementos do Núcleo de Programas Especiais da Guarda Nacional Republicana alertam que este tipo de publicidade é legal, mas mais uma vez as pessoas têm que estar despertas para as implicações futuras deste tipo de negócio. “Nunca assinem papéis em branco, obtenham o maior número de informações sobre o produto e o que pode custar, todas essas informações podem evitar dissabores no futuro e poupar constrangimentos”, sublinharam.



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